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Economia da Argentina cai 1,7% em agosto e Milei destaca alta de 0,1% sobre julho

Indec registra queda interanual de 1,74%; economistas veem risco de recessão e o governo aponta recuperação na margem

A atividade econômica da Argentina recuou 1,74% em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), divulgado nesta quinta-feira, 22. Na comparação com julho, já sem efeitos sazonais, houve alta de 0,1%, número que o governo de Javier Milei escolheu para o destaque.

O dado sustenta dois relatos opostos sobre o país vizinho. Já a imprensa argentina classificou o resultado como a maior queda interanual de 2026, e há economistas que falam em risco de recessão.

O que subiu e o que caiu

Segundo a Agência Brasil, que detalhou a divulgação do Indec, seis setores puxaram o resultado para baixo:

  • pesca: queda de 15,7%;
  • intermediação financeira: queda de 3,8%;
  • comércio atacadista, varejista e reparações: queda de 3,5%;
  • indústria manufatureira: queda de 3,2%;
  • transportes e comunicações: queda de 2,9%;
  • construção: queda de 2,5%.

No lado positivo ficaram mineração e petróleo, com alta de 11,1%, eletricidade, gás e água, com 4,3%, e hotéis e restaurantes, com 3,1%. O Indec também informou que o indicador de tendência-ciclo, que filtra oscilações de curto prazo, ficou em 0% no mês.

No acumulado de janeiro a agosto, a economia cresceu 1,2% sobre o mesmo período de 2025. No acumulado até julho, o avanço era de 1,7%. A diferença mostra que o ritmo do ano perdeu fôlego, embora o saldo siga positivo.

A leitura do governo e a dos economistas

O ministro da Economia, Luis Caputo, publicou nas redes sociais que a tendência-ciclo está 6,6% acima do nível de dezembro de 2023, mês em que Milei assumiu. Ele acrescentou que as exportações da agroindústria somaram US$ 43,2 bilhões nos nove primeiros meses do ano, alta de 13% sobre 2025 e recorde em volume.

A economista Clara Brenck, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), disse à Agência Brasil que o quadro preocupa. Ela apontou o aumento do desemprego como sinal de recessão e afirmou que mineração, petróleo e gás seguram um resultado que seria pior, mas dependem de preços internacionais, e não do mercado interno. Brenck considera que o corte de impostos prometido por Milei ainda não gerou o investimento privado esperado.

O contraponto está nos próprios números oficiais. A inflação caiu desde 2023, como a economista reconheceu, e o setor exportador de grãos e carnes bate recordes. O que o dado de agosto mostra é que o consumo interno e a indústria, que empregam mais gente, ainda não acompanham esse desempenho.

Em outras frentes do Resenhando, veja o alinhamento de Milei com Donald Trump e os ataques a Lula e a arrecadação federal de setembro no Brasil.

Fontes: Indec (dados oficiais da Argentina) e Agência Brasil, em 22/10/2026.