Economia

Arrecadação federal chega a R$ 239,4 bi em setembro; sem atípicos, alta real é de 3,69%

Receita Federal informa crescimento real de 5,62% no mês e de 6,97% no ano; petróleo e IOF puxam, e o IRRF sobre salários recua

A arrecadação das receitas federais somou R$ 239,384 bilhões em setembro, segundo o relatório mensal divulgado nesta quinta-feira, 22, pela Receita Federal. É uma alta real de 5,62% sobre setembro de 2025, já descontado o IPCA. De janeiro a setembro, o total chegou a R$ 2,351 trilhões, com crescimento real de 6,97%.

O próprio relatório, assinado pelo Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros, traz uma segunda conta. Sem os pagamentos que a Receita classifica como não recorrentes, o avanço de setembro cai para 3,69%, e o do acumulado do ano, para 5,77%.

O que a Receita separa como atípico

No mês, o item isolado é o imposto de exportação sobre óleo bruto de petróleo, que rendeu R$ 2,943 bilhões. No acumulado, esse tributo soma R$ 12,869 bilhões, e há ainda R$ 11 bilhões em pagamentos atípicos de IRPJ e CSLL. Os dois juntos respondem por R$ 23,869 bilhões da arrecadação de janeiro a setembro.

Por setor, a extração de petróleo e gás natural passou de R$ 17,368 bilhões para R$ 106,046 bilhões nos nove meses, variação real de 510,6%, segundo a tabela por divisão econômica do documento. Nenhum outro setor chega perto: entidades financeiras, o maior em valor, arrecadaram R$ 282,220 bilhões, com alta de 7,90%.

A receita administrada pela Receita Federal foi de R$ 231,426 bilhões em setembro (+5,03% real). As receitas recolhidas por Darf ou GPS e administradas por outros órgãos somaram R$ 7,958 bilhões, com alta de 26,31%.

Gráfico de barras com a variação real da arrecadação federal por tributo de janeiro a setembro de 2026, do IOF (+19,49%) ao IRRF sobre trabalho (-3,50%)
Variação real da arrecadação por tributo no acumulado de 2026, segundo a Receita FederalArte: Resenhando, com dados da Receita Federal

Quais tributos puxaram a alta

A contribuição previdenciária arrecadou R$ 64,588 bilhões no mês (+6,18%) e R$ 575,925 bilhões no ano (+5,16%). A Receita liga o resultado à massa salarial, que cresceu 1,72% em termos reais em agosto, ao Simples Nacional previdenciário (+7,42% no mês) e a um aumento de 14,88% nas compensações com débitos previdenciários. O órgão cita ainda a reoneração escalonada da folha prevista na Lei 14.973/2024.

Os tributos sobre importação renderam R$ 13,319 bilhões em setembro, alta real de 21,07%. O relatório atribui o número a três fatores: aumento de 26,63% na alíquota média efetiva do Imposto de Importação, de 29,91% na do IPI vinculado e de 4,38% no valor em dólar das compras externas, combinados com queda de 4,15% no câmbio médio.

O IRRF sobre rendimentos de capital somou R$ 12,061 bilhões no mês (+9,68%). No ano, são R$ 131,151 bilhões e alta real de 17,57%, que a Receita atribui a aplicações de renda fixa, a juros sobre capital próprio e, a partir de 2026, à tributação de dividendos.

Na outra ponta, o IRRF sobre rendimentos do trabalho é o único grande tributo em queda no acumulado: R$ 179,246 bilhões contra R$ 185,746 bilhões em 2025, recuo real de 3,50%. O PIS/Pasep e a Cofins somaram R$ 466,555 bilhões (+4,10%), com efeito de desonerações temporárias sobre diesel, biodiesel e querosene de aviação, de acordo com o relatório.

A comparação com meses anteriores ajuda a situar o dado. Em agosto, a arrecadação foi de R$ 235,566 bilhões e crescia 8,25% em termos reais, como o Resenhando mostrou na cobertura do relatório de agosto. O número do primeiro semestre está na matéria sobre o recorde de R$ 1,607 trilhão até junho.

O relatório completo, com as tabelas por tributo e por setor, está no site da Receita Federal.