Economia

Arrecadação federal bate recorde de R$ 1,587 trilhão no semestre

Receita Federal informa alta real de 6,63% de janeiro a junho, o maior valor para o período desde o início da série histórica, em 1995

A arrecadação federal somou R$ 1,587 trilhão entre janeiro e junho de 2026, alta real de 6,63% sobre o mesmo período do ano passado e recorde para um primeiro semestre desde o início da série histórica, em 1995. Os dados foram divulgados pela Receita Federal nesta quinta-feira (30).

O número mede o que o contribuinte pagou já descontada a inflação. A alta real significa que o Estado tirou da economia 6,63% a mais em poder de compra do que havia tirado no primeiro semestre de 2025, sem que tenha havido criação de imposto novo no período.

Junho puxou o resultado

Só em junho a arrecadação chegou a R$ 264,437 bilhões, alta real de 7,72% na comparação com junho de 2025 e o maior valor já registrado para o mês. Foi esse desempenho que empurrou o acumulado do semestre ao recorde.

Os principais fatores apontados pela Receita para o resultado de junho:

  • petróleo e gás natural: R$ 15,388 bilhões em tributos sobre extração, contra R$ 819 milhões em junho de 2025;
  • imposto de exportação sobre petróleo: contribuição de R$ 3,8 bilhões;
  • lucro das empresas: incremento de R$ 4 bilhões em tributos sobre resultados;
  • Imposto de Renda das empresas e CSLL: alta de 20,40%.

A Receita também atribui parte do avanço à arrecadação previdenciária, sustentada pelo crescimento da massa salarial e pela redução da desoneração da folha de pagamento em setores que perderam o benefício.

Recorde de arrecadação não é recorde de folga fiscal

O dado mede entrada de dinheiro, não resultado das contas públicas. Arrecadar mais em termos reais só melhora o quadro fiscal quando a despesa cresce menos que a receita, o que depende do lado do gasto, não do contribuinte.

A trajetória do endividamento segue no radar de quem acompanha as contas do governo. Projeções de mercado colocam a dívida bruta acima de 80% do PIB, mesmo com a receita em nível recorde.

O que olhar daqui para frente

Dois pontos definem se o ritmo se mantém no segundo semestre. O primeiro é o preço do petróleo, que responde por boa parte do salto de junho e não é receita permanente. O segundo é o lucro das empresas, base do IRPJ e da CSLL, sensível à atividade econômica e ao custo do crédito.

Se qualquer um dos dois recuar, o recorde do primeiro semestre não se repete na mesma proporção. A despesa contratada, essa, permanece.

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