Arrecadação federal bate recorde e soma R$ 1,607 trilhão no semestre
Valor é o maior já registrado para o período e cresceu 6,63% acima da inflação; só em junho, a Receita recolheu R$ 264,4 bilhões
A Receita Federal arrecadou R$ 1,607 trilhão em tributos, contribuições e demais receitas administradas no primeiro semestre de 2026, o maior valor já registrado para o período. Os dados foram divulgados pelo órgão em 30 de julho.
O montante representa crescimento real de 6,63% acima da inflação na comparação com o mesmo período de 2025. Somente em junho, a arrecadação somou R$ 264,4 bilhões, com alta real de 7,72% sobre junho do ano passado, também recorde para o mês.
O que puxou o resultado
Segundo a Receita Federal, o crescimento real foi influenciado principalmente pelo aumento da arrecadação sobre rendimentos de capital, pelo desempenho do setor de petróleo e gás e pela expansão da massa salarial. Entre os tributos que mais contribuíram para a alta estão o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
A tributação sobre rendimentos de capital é sensível ao patamar da taxa básica de juros: quanto maior a Selic, maior o rendimento de aplicações financeiras e maior o imposto retido na fonte. O componente de petróleo e gás, por sua vez, responde a preço internacional e a produção, variáveis que o governo não controla.
Quanto isso representa
Os números do semestre dão a dimensão do que o contribuinte transferiu ao caixa federal:
- R$ 1,607 trilhão arrecadados de janeiro a junho;
- crescimento real de 6,63% sobre o mesmo período de 2025;
- R$ 264,4 bilhões só em junho, com alta real de 7,72%;
- maior valor da série histórica para um primeiro semestre.
O crescimento real da arrecadação significa que o Estado ficou com uma fatia maior da renda produzida no país, e não apenas que os valores nominais acompanharam a inflação. Em um semestre em que a atividade econômica avançou em ritmo mais moderado, o descolamento entre receita e produto interno é o dado que merece atenção.
O outro lado da conta
Receita recorde não equivale a contas equilibradas. O resultado do governo central depende também da despesa, e o desempenho fiscal do período só se fecha com os números da Secretaria do Tesouro Nacional, que consolida receitas e gastos primários.
A Receita Federal não divulgou projeção para o segundo semestre junto com o resultado. O órgão publica mensalmente o relatório de análise da arrecadação, com o detalhamento por tributo e o comportamento dos principais setores.
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