Economia

Arrecadação federal soma R$ 2,1 trilhões em oito meses e é a maior da série iniciada em 1995

Relatório da Receita aponta alta real de 7,12% no ano; sem os pagamentos atípicos, o avanço seria de 6,00%

A arrecadação das receitas federais somou R$ 235,566 bilhões em agosto de 2026 e R$ 2,112 trilhões no acumulado de janeiro a agosto, segundo o relatório mensal divulgado nesta terça-feira, 22, pela Receita Federal. No ano, o crescimento real é de 7,12%, já descontado o IPCA; no mês, de 8,25% sobre agosto de 2025.

Corrigido a preços de agosto de 2026, o total de janeiro a agosto chega a R$ 2.127,8 bilhões, contra R$ 1.986,4 bilhões no mesmo período de 2025. É o maior valor para o intervalo em toda a série divulgada pelo órgão, que começa em 1995.

Gráfico de barras horizontais com a variação real de cada tributo de janeiro a agosto de 2026, do IOF com mais 24,11% ao ITR com menos 36,36%
O IOF lidera a alta percentual entre os tributos; o imposto retido do salário e o ITR são os dois itens em queda real.Arte: Resenhando, com dados da Receita Federal (Tabela II-A)

O documento é assinado pela Coordenação de Previsão e Análise do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros e traz o corte por tributo e por setor da economia. A Receita Federal é chefiada pelo secretário especial Robinson Sakiyama Barreirinhas.

O que puxou a alta no ano

Pela tabela corrigida pelo IPCA, a maior variação percentual entre os tributos de janeiro a agosto foi a do IOF, com alta real de 24,11%, seguida pelo Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital, com 18,43%, e pelo imposto de importação, com 12,07%.

Em valor absoluto, a receita previdenciária continua sendo o maior item isolado, com R$ 507,2 bilhões e alta real de 5,03%. O IRPJ somado à CSLL rendeu R$ 411,0 bilhões, com alta de 6,11%, e o PIS/Pasep junto com a Cofins arrecadou R$ 412,8 bilhões, com alta de 4,52%.

O movimento mais destoante veio do setor de extração de petróleo e gás natural, que passou de R$ 16,3 bilhões para R$ 93,3 bilhões nos oito meses, alta real de 471,35%. Parte disso vem da Medida Provisória 1.340/2026, que instituiu o imposto de exportação sobre óleo bruto e rendeu R$ 9,9 bilhões no período.

Tributo (janeiro a agosto)2026Variação real
Receita previdenciáriaR$ 507,2 bi+5,03%
PIS/Pasep e CofinsR$ 412,8 bi+4,52%
IRPJ e CSLLR$ 411,0 bi+6,11%
IRRF sobre rendimentos do trabalhoR$ 160,9 bi-3,15%
IRRF sobre rendimentos de capitalR$ 118,1 bi+18,43%
Imposto de importaçãoR$ 70,6 bi+12,07%
IOFR$ 67,2 bi+24,11%
Imposto de Renda da Pessoa FísicaR$ 64,7 bi+10,61%
ITRR$ 0,5 bi-36,36%

Valores a preços de agosto de 2026, corrigidos pelo IPCA, conforme a Tabela II-A do relatório.

O que o relatório mostra sobre o salário

Na mesma tabela, um item vai na direção contrária. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos do trabalho arrecadou R$ 160,9 bilhões de janeiro a agosto, contra R$ 166,1 bilhões no mesmo intervalo de 2025, queda real de 3,15%. É o único tributo relevante em retração, ao lado do ITR.

Enquanto o imposto descontado na folha caiu, o retido sobre aplicações financeiras subiu 18,43%. A Receita atribui esse resultado ao aumento nominal de 31,13% na arrecadação sobre aplicações de renda fixa, de 47,04% sobre juros sobre capital próprio e de 11,35% sobre fundos de renda fixa, além da tributação de dividendos, que passou a valer em 2026.

O relatório também separa o que é arrecadação recorrente do que não é. No acumulado, R$ 20,9 bilhões vieram de fatores atípicos ou de mudança de legislação: R$ 11 bilhões de pagamentos atípicos de IRPJ e CSLL e R$ 9,9 bilhões do imposto de exportação sobre óleo bruto. Descontados esses valores, a alta real do período cai de 7,10% para 6,00% nas receitas administradas pela Receita, e a de agosto, de 8,24% para 7,31%.

O texto do órgão não usa a palavra recorde em nenhuma passagem. O termo apareceu na repercussão do dado, e a comparação histórica precisa ser feita com os valores já corrigidos pela inflação, que estão nas tabelas IV-A e V-A do próprio documento.

Os números de 2026 seguem a trajetória já registrada no primeiro semestre, quando a arrecadação federal somou R$ 1,607 trilhão em seis meses. Em 18 de setembro, Barreirinhas afirmou que ninguém pretende voltar atrás na reforma tributária.

O relatório completo, com as 13 tabelas de anexo, está disponível na página de arrecadação da Receita Federal. O próximo balanço mensal, referente a setembro, é divulgado em outubro.

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