São Paulo tem 22% da população e paga 43% do Imposto de Renda
Contribuintes paulistas recolheram R$ 22,3 bilhões de IRPF no primeiro semestre, quase quatro vezes o valor do segundo colocado
São Paulo respondeu por 43,4% de toda a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) no país no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Receita Federal compilados pelo Poder360. Os contribuintes do estado desembolsaram R$ 22,3 bilhões no período, valor que não considera as restituições pagas pelo governo.
O estado concentra 21,6% da população brasileira, com 46,1 milhões de habitantes, conforme a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025. A diferença entre as duas proporções, 21,6% da população e 43,4% do imposto, é a medida da concentração da renda tributável no estado.
De janeiro a junho, a Receita Federal arrecadou R$ 51,3 bilhões com o Imposto de Renda da Pessoa Física em todo o país.
O Imposto de Renda da Pessoa Física incide sobre salários, aposentadorias, aluguéis, ganhos de capital e rendimentos de aplicações financeiras. É o tributo federal que mais depende da renda individual declarada, e por isso funciona como um retrato da distribuição de renda tributável entre as unidades da federação.
Como os demais estados se distribuem
A distância entre São Paulo e o segundo colocado é o dado mais expressivo do levantamento. O Rio de Janeiro arrecadou R$ 5,97 bilhões, quase quatro vezes menos que o estado paulista. Em seguida aparecem Minas Gerais, com R$ 4,54 bilhões, Paraná, com R$ 3,29 bilhões, e Rio Grande do Sul, com R$ 3,11 bilhões.
- São Paulo: R$ 22,3 bilhões, 43,4% do total
- Rio de Janeiro: R$ 5,97 bilhões
- Minas Gerais: R$ 4,54 bilhões
- Paraná: R$ 3,29 bilhões
- Rio Grande do Sul: R$ 3,11 bilhões
Somados, os quatro estados que aparecem logo abaixo de São Paulo chegam a R$ 16,9 bilhões, valor ainda inferior ao paulista. O cálculo a partir dos números da Receita indica que os cinco primeiros colocados respondem por cerca de três quartos do IRPF recolhido no semestre.
O que explica a concentração
A arrecadação do IRPF acompanha a distribuição da renda tributável, não a da população. São Paulo abriga a maior parte das sedes de empresas de capital aberto do país, o polo financeiro da Avenida Faria Lima e a maior concentração de trabalhadores com renda acima da faixa de isenção. O imposto é recolhido no domicílio fiscal do contribuinte, o que atribui ao estado a arrecadação de quem trabalha e declara em São Paulo.
O peso paulista na arrecadação tem efeito direto no debate sobre a partilha federativa. Parte do que é recolhido a título de Imposto de Renda vai para os Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios, que redistribuem recursos com critérios de população e de renda per capita, e beneficiam proporcionalmente as unidades da federação com menor base tributária.
A Receita Federal divulga os dados de arrecadação por unidade da federação em relatórios periódicos. O recorte tratado aqui é o do Imposto de Renda da Pessoa Física recolhido de janeiro a junho de 2026, antes do desconto das restituições devolvidas aos contribuintes ao longo do ano.
A leitura tem consequência prática no debate tributário. Quando se discute mudança de alíquota, ampliação de faixa de isenção ou tributação de dividendos, o efeito da medida se concentra desproporcionalmente em um estado, e é ali que a arrecadação federal sente primeiro qualquer alteração na regra. Um ajuste que reduza a base de contribuintes de alta renda em São Paulo pesa mais no caixa da União do que a mesma medida aplicada em qualquer outro estado.
O comportamento da arrecadação federal ao longo do ano será novamente medido com a divulgação do IPCA de julho, prevista para esta semana, tema acompanhado em reportagem do Resenhando.