IBGE divulga nesta terça o IPCA de julho, com o mercado projetando 5,03% no ano
Indice oficial de inflacao chega ao setimo mes do ano com o acumulado em 12 meses em 4,64% e a projecao do Focus para 2026 acima do teto da meta
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga nesta terça-feira, 11, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, indicador que serve de referência para a meta de inflação perseguida pelo Banco Central. O resultado é o primeiro teste da projeção de 5,03% que o mercado financeiro passou a adotar para o fechamento de 2026.
O IPCA é o índice oficial de inflação do país. Ele mede a variação de preços para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos em dez regiões metropolitanas, além de Brasília, Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. A divulgação de julho fecha o sétimo mês de um ano em que a inflação corre acima do teto da meta.
Em junho, o índice subiu 0,16%, desaceleração de 0,42 ponto percentual em relação a maio, quando havia marcado 0,58%. O acumulado em 12 meses caiu de 4,72% para 4,64%. No ano, o IPCA soma alta de 3,36%. O dado de junho foi divulgado em 10 de julho.
O que o mercado projeta
O Boletim Focus, pesquisa semanal que o Banco Central faz com instituições financeiras, reduziu em 3 de agosto a mediana das projeções de IPCA para 2026 de 5,10% para 5,03%. Foi a quinta queda seguida do indicador. Mesmo com o recuo, a estimativa segue 0,53 ponto percentual acima da meta central perseguida pela autoridade monetária, de 4,50%.
Para os anos seguintes, as medianas ficaram estáveis: 4,22% em 2027, 3,80% em 2028 e 3,50% em 2029. A projeção para a taxa básica de juros ao fim de 2026 recuou para 13,75% ao ano.
A distância entre a projeção do mercado e a meta importa porque o regime brasileiro de metas de inflação passou a ser avaliado de forma contínua. Quando o índice acumulado em 12 meses fica fora do intervalo de tolerância por seis meses seguidos, o presidente do Banco Central precisa enviar carta aberta ao ministro da Fazenda explicando as causas do descumprimento e as medidas para trazer a inflação de volta ao alvo.
Como o dado entra na conta dos juros
O IPCA de julho chega antes da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e alimenta a leitura do mercado sobre o ritmo de queda da Selic. Uma leitura mais alta que a esperada tende a adiar cortes; uma leitura mais baixa reforça a aposta de afrouxamento mais rápido.
O índice também é o parâmetro de correção de contratos que atingem diretamente o orçamento das famílias. Entre eles estão os planos de saúde individuais, mensalidades escolares, aluguéis indexados ao IPCA e o piso de reajuste de parte dos benefícios previdenciários.
- Divulgação: terça-feira, 11 de agosto, pelo IBGE
- Último resultado: 0,16% em junho, divulgado em 10 de julho
- Acumulado em 12 meses até junho: 4,64%
- Acumulado no ano até junho: 3,36%
- Projeção do Focus para 2026: 5,03%, contra meta de 4,50%
- Projeção do Focus para a Selic ao fim de 2026: 13,75% ao ano
O IBGE publica no mesmo dia a abertura por grupos de despesa, o que permite identificar quais itens puxaram o índice. Alimentação e bebidas, transportes e habitação costumam concentrar as maiores contribuições, positivas ou negativas, para o resultado mensal.
A série de julho também traz o efeito de reajustes sazonais que se concentram no segundo semestre, entre eles a energia elétrica, sujeita à bandeira tarifária definida mês a mês pela Agência Nacional de Energia Elétrica, e os combustíveis, que respondem à política de preços da Petrobras e às variações de tributos estaduais.
Com o resultado de julho, o Banco Central e o mercado passam a trabalhar com sete leituras fechadas do ano, o que reduz a margem de correção das projeções para dezembro. É nesse ponto do calendário que as estimativas do Focus costumam parar de oscilar e convergir para o número que fecha o exercício.