Ibovespa perde 18% na semana e dólar sobe mais de 9% depois da reeleição de Lula
Ibovespa teve a pior semana desde 2020 e o dólar a maior alta desde 2008. Veja os números e o que o mercado espera do governo Lula.
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O Ibovespa fechou a semana encerrada em 30 de outubro com queda de 18,12%, aos 167.921,80 pontos, a pior desde março de 2020, e o dólar à vista subiu mais de 9% no mesmo intervalo, a maior alta semanal desde outubro de 2008. Os números são da Agência Brasil, com base em dados da B3, e coincidem, com pequenas diferenças de arredondamento, com os do Money Times.
A semana foi a primeira depois do segundo turno, que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na sexta-feira (30), o dólar comercial fechou perto de R$ 5,45, o maior valor de fechamento de 2026, e a bolsa teve o quinto pregão seguido de baixa. A segunda-feira (2) foi feriado de Finados, e a Agência Brasil registrou procura por proteção cambial antes da folga prolongada.
Os números da semana
- Dólar: R$ 5,446 na sexta, alta de 1,09% no dia e de 9,15% na semana, segundo a Agência Brasil (o Money Times calcula 9,04% e R$ 5,4443)
- Ibovespa: queda de 0,75% na sexta e de 18,12% na semana
- Outubro: dólar em alta de 5,27% e bolsa em baixa de 9,88%, o pior mês desde junho de 2022
- Bancos: o índice financeiro da B3 recuou 2,75% na sexta, conforme o Money Times
Na segunda-feira (26), primeiro pregão depois da eleição, a queda do índice acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações quando a perda é grande. Dados da B3 mostraram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações por investidores estrangeiros nos três primeiros pregões da semana.
No ano, o dólar acumula alta de 0,81%. Ou seja, o tombo da bolsa e a escalada da moeda se concentraram em poucos dias.
Dentro do índice, houve exceções. Segundo o Money Times, a Vale subiu 3,28%, a R$ 62,02, e a Usiminas caiu 8,59%, a R$ 5,00, depois de balanço abaixo do esperado no terceiro trimestre. Os bancos caíram em bloco.
O que pressionou o mercado
A Agência Brasil afirma que o desempenho dos ativos foi marcado por "ajustes do mercado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva" e pelas incertezas sobre a política fiscal. O Money Times descreve os investidores em "compasso de espera por novidades sobre as políticas a serem adotadas pelo governo reeleito" e cita a piora das expectativas sobre a trajetória dos juros.
O cenário externo também pesou. Em Nova York, o S&P 500 caiu 1,82% na sexta, com cautela em relação às grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos e aos investimentos em inteligência artificial. O índice do dólar frente a seis moedas fortes ficou praticamente estável, em 101,89 pontos, o que indica que a alta da moeda americana no Brasil foi maior que a observada no mundo.
O que o mercado espera agora
A expectativa gira em torno da equipe econômica do novo mandato e das medidas para as contas públicas. O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), é um dos nomes cotados para a Fazenda, e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, defendeu no domingo (1º) um ajuste fiscal sem aumento de impostos.
Lula afirmou no mesmo dia que não vai extinguir programas sociais, embora o Orçamento de 2027 ainda precise de um remanejamento de R$ 20 bilhões. Os números oficiais de negociação estão no site da B3.