Dólar a R$ 5,45 e Bolsa em queda de 18% na semana pressionam projeções de inflação para 2026 e 2027
Maior alta semanal do dólar desde 2008 leva economistas a rever o IPCA acima do teto da meta
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O dólar comercial fechou a sexta-feira, 30 de outubro, a R$ 5,446, o maior valor de 2026, e acumulou alta de 9,15% na semana seguinte ao segundo turno, a maior desde outubro de 2008. Na mesma semana, o Ibovespa caiu 18,12%, pior resultado semanal desde março de 2020, e terminou o dia aos 167.921,80 pontos. Os dados são do fechamento do mercado divulgado pela Agência Brasil.
Em outubro, a moeda americana subiu 5,27% e a Bolsa recuou 9,88%, o pior mês do índice desde junho de 2022. Com isso, o dólar passou a acumular alta de 0,81% no ano.

O que pesou no mercado
A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a dúvida sobre a política fiscal do novo mandato aparecem como o principal motivo da pressão. No primeiro pregão depois do resultado, na segunda-feira, 26, a queda do índice acionou o circuit breaker, o mecanismo que interrompe as negociações. Dados da B3 mostram retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões de investidores estrangeiros do mercado secundário de ações nos três primeiros pregões da semana.
O mercado aguarda a definição da equipe econômica e as medidas para as contas públicas. Ao mesmo tempo, o cenário externo ajudou a derrubar os preços: o S&P 500 recuou 1,82% na sexta, em meio à cautela com as empresas de tecnologia dos Estados Unidos e com os investimentos em inteligência artificial.
Efeito sobre a inflação
Segundo reportagem da Folhapress, o câmbio mais alto já provoca revisões nas projeções de economistas para o IPCA, a inflação oficial. O dólar afeta bens que dependem de insumos importados e serve de referência para commodities, inclusive as agrícolas.
O economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, elevou a estimativa para 2026 de 5,18% para 5,31% e a de 2027 de 4,23% para 5%. "Quase tudo responde ao câmbio, em maior ou menor grau, mas tem alguns candidatos principais, como os preços de combustíveis, alimentos e alguns bens duráveis", disse. Para Romão, a mudança na curva de câmbio puxou a revisão, seguida pela possibilidade de efeitos mais fortes do El Niño sobre os preços.
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, projeta IPCA de 5,2% em 2026 e de 4,5% em 2027. "Não é só uma inflação preocupante em 2026. Começa a ficar preocupante também para 2027", afirmou. Vale avalia que o dólar pode se acomodar depois do susto, mas diz ser preciso esperar os sinais do presidente sobre a área fiscal e a montagem do governo. Ele também cita as medidas de estímulo adotadas pelo governo às vésperas da eleição como fonte de pressão pelo lado da demanda.
A meta de inflação do Banco Central tem centro de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual: o teto é 4,5%. As duas projeções para 2026 estão acima desse teto. Antes mesmo da eleição, os alimentos já subiam por causa de chuvas fortes no Sul e no Sudeste, que Vale associa aos efeitos iniciais do El Niño.
Próximos dias
Como a segunda-feira, 2, é feriado de Finados, a próxima leitura do mercado vem depois da pausa. O Resenhando já havia acompanhado o clima antes da reunião do Copom, e mostrou a sequência de quedas do Ibovespa em agosto, quando o dólar estava em R$ 5,219.
Fontes: Agência Brasil e Folhapress, no Jornal de Brasília.