Ibovespa cai por nove pregões seguidos e dólar fecha a R$ 5,219
Índice terminou a sexta-feira aos 166.934 pontos e acumulou queda de 3,27% na semana, na maior sequência de perdas desde 2023
O Ibovespa fechou a sexta-feira, 14, em queda de 0,10%, aos 166.934 pontos, na nona baixa consecutiva do índice na B3. É a maior sequência de perdas diárias desde agosto de 2023, quando a bolsa brasileira encadeou 13 pregões negativos. Na semana, o índice recuou 3,27%.
O dólar comercial subiu 0,52% no mesmo dia e encerrou cotado a R$ 5,219, na quinta alta seguida. No mês, a B3 acumula perda de 6,22%.
Dois fatores aparecem no diagnóstico de quem opera: a proximidade da eleição presidencial de outubro e a escalada da disputa comercial com os Estados Unidos.
"A cerca de 45 dias das eleições, os investidores estão preferindo acompanhar a corrida de fora do país", afirmou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra Investimentos, ao Correio Braziliense.
Por que o capital estrangeiro está saindo
A saída de recursos de investidores não residentes é o canal mais direto entre humor político e preço de ativo. Sem o fluxo estrangeiro, que responde por parcela relevante do giro diário da bolsa brasileira, a liquidez das ações locais encolhe e a demanda por dólar aumenta, o que pressiona o câmbio.
Eduardo Velho, economista-chefe da Bravonte Capital, apontou dois vetores. O primeiro é eleitoral, com a consolidação de expectativas em torno do resultado de outubro e a leitura de que uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteria a política fiscal expansionista. O segundo é externo: a probabilidade de o Federal Reserve elevar juros a partir de setembro caiu para 30%, na avaliação dele.
A tensão comercial com Washington compõe o quadro. O governo brasileiro abriu processo de reciprocidade em resposta às tarifas americanas sobre produtos nacionais, movimento que adiciona incerteza sobre exportações e sobre o resultado da balança nos próximos trimestres.
O que está em jogo para quem investe
A combinação de bolsa em queda e dólar em alta encarece importação, pressiona os preços de bens com componente importado e afeta o custo de rolagem da dívida pública indexada ao câmbio. Para o investidor pessoa física, o efeito imediato aparece na carteira de renda variável e no custo de viagem e de compra internacional.
A sequência de nove pregões negativos vem depois de um primeiro semestre de altas sucessivas do índice. O que a série sinaliza é mudança de composição do fluxo, com investidor estrangeiro reduzindo posição e investidor local migrando para renda fixa, atrativa com a Selic no patamar atual.
A sequência negativa se estende desde o início de agosto e atravessou o mês inteiro até aqui, sem pregão de alta que a interrompesse. Séries longas assim são incomuns: a anterior de porte semelhante ficou três anos atrás.
Vale distinguir o que a queda mede. O Ibovespa é um índice de ações negociadas na B3, ponderado por liquidez e valor de mercado, e reflete a expectativa de quem compra e vende papéis, não o desempenho corrente da economia. Uma sequência de baixas indica reprecificação de risco, não necessariamente deterioração já observada em produção, emprego ou consumo.
O câmbio tem transmissão mais rápida para o cotidiano. Dólar mais caro encarece insumo importado, combustível e equipamento, e o efeito chega à inflação com defasagem de semanas a meses, conforme o setor.
Os números de fluxo estrangeiro de agosto ainda serão consolidados pela B3 ao fim do mês. Até lá, os dados parciais divulgados por casas de análise variam conforme o critério de apuração e a data de corte.
Leia também: Dólar fecha julho de 2026 em queda de 1,82%.