Economia

Dólar fecha julho a R$ 5,069 com queda de 1,82% no mês

Moeda americana acumula recuo de 7,73% em 2026; petróleo em alta e juros altos sustentaram o real no período

O dólar encerrou o mês de julho vendido a R$ 5,069, com alta de 0,13% no pregão de sexta-feira, 31, e queda acumulada de 1,82% no período. No ano, a moeda americana registra recuo de 7,73% ante o real.

O resultado do mês veio de um movimento gradual, sem oscilação abrupta no fechamento. A divisa terminou a última sessão praticamente estável, o que preservou o saldo negativo acumulado nas semanas anteriores.

O que sustentou o real

Dois fatores aparecem na leitura do período. O primeiro é o petróleo, que subiu mais de 20% em julho, impulsionado pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. O Brasil é exportador do produto, e a valorização da commodity tende a melhorar o fluxo cambial.

O segundo é o diferencial de juros. A taxa básica brasileira em patamar elevado continua atraindo investidores para operações de carry trade, em que o capital é captado em país de juro baixo e aplicado onde o rendimento é maior. Esse fluxo pressiona a moeda estrangeira para baixo.

A combinação dos dois vetores é o que explica o desempenho do real no mês, e ambos têm origem externa. O primeiro depende de um conflito em curso; o segundo, da manutenção do juro alto, que tem custo próprio para a atividade econômica e para as contas públicas.

Bolsa interrompe quatro meses de perdas

O Ibovespa acumulou ganho de 3,47% em julho e encerrou uma sequência de quatro meses consecutivos de queda. No acumulado de 2026, o índice registra valorização de 10,47%.

A recuperação da bolsa no mês acompanha o mesmo pano de fundo do câmbio. A alta do petróleo beneficia diretamente as ações do setor, que têm peso relevante na composição do índice, e o ambiente de entrada de capital estrangeiro favorece os ativos negociados em reais.

Nenhum dos dois movimentos, porém, decorre de mudança estrutural na economia doméstica. Tanto a valorização da commodity quanto o fluxo atraído pelo juro alto são sensíveis a reversão, e o cenário externo que os sustenta permanece condicionado ao desdobramento do conflito no Oriente Médio.

Para agosto, o mercado acompanha a trajetória do petróleo e as decisões de política monetária que definem o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos.

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