Dólar fecha a R$ 5,06, menor nível em quase dois meses
Moeda americana recuou 0,93% na quinta-feira, 30, após dado de inflação nos Estados Unidos abaixo do esperado; Ibovespa subiu 1,88%
O dólar comercial encerrou a quinta-feira, 30, cotado a R$ 5,061, com recuo de 0,93%, ou R$ 0,04 em relação ao pregão anterior. É o menor patamar da moeda americana em quase dois meses. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou aos 177.158 pontos, em alta de 1,88%.
O movimento foi puxado por dado externo. O índice de preços de gastos com consumo (PCE) nos Estados Unidos, medida de inflação acompanhada pelo Federal Reserve, avançou 0,1% em junho, abaixo da expectativa de 0,2% do mercado. O número reforçou a leitura de que a autoridade monetária americana pode não precisar elevar os juros no curto prazo.
Com a perspectiva de juros estáveis nos Estados Unidos, o dólar tende a perder força no mercado internacional, enquanto investidores buscam ativos considerados mais rentáveis. A consequência apareceu na ponta brasileira: houve aumento da demanda por ativos locais, especialmente ações de grandes empresas, o que ampliou a oferta de dólares no mercado doméstico.
O que sustenta o movimento no mercado doméstico
No cenário interno, pesou a expectativa de redução da taxa Selic nos próximos meses, diante de indicadores recentes de inflação mais comportados. O Comitê de Política Monetária do Banco Central se reúne em agosto para decidir sobre a taxa básica.
A combinação entre juro externo estável e perspectiva de corte interno costuma ser lida pelo mercado como favorável ao chamado carry trade, operação em que o investidor toma recursos em moeda de juro baixo para aplicar em ativos de juro mais alto. É um fluxo que valoriza o real enquanto dura e que se reverte com rapidez quando a percepção de risco muda.
O câmbio brasileiro segue sensível ao ambiente fiscal e ao calendário eleitoral de 2026. Ambos são fatores que os analistas costumam citar como limitadores de uma apreciação mais duradoura da moeda nacional.
O efeito na ponta do consumidor
O câmbio mais baixo alcança o consumidor por três caminhos principais, todos com defasagem de semanas a meses.
- Combustível: o preço de importação de gasolina e diesel é cotado em dólar, e a paridade internacional é um dos componentes da política de preços da Petrobras
- Alimentos: trigo, insumos agrícolas e fertilizantes importados entram na conta do produtor e chegam ao supermercado com atraso
- Dívida pública: a parcela da dívida indexada ao câmbio tem seu custo reduzido quando o dólar recua
O repasse, porém, não é automático nem simétrico. A prática do mercado brasileiro é a de que a alta do câmbio chega mais rápido à prateleira do que a queda, o que faz com que o alívio no dólar leve mais tempo para aparecer no preço final.
Para quem tem despesa em moeda estrangeira, como viagem programada ou compra internacional, a cotação atual reduz o custo imediato da operação. O Imposto sobre Operações Financeiras incide sobre a compra de moeda e sobre gastos com cartão no exterior, e entra na conta final do consumidor.
As cotações de fechamento são divulgadas diariamente pelo Banco Central, que publica também a taxa de referência Ptax usada em contratos.