JPMorgan rebaixa ações brasileiras para neutro; dólar sobe e Ibovespa cai 2,50%
Banco cita fim do ciclo de corte de juros, desaceleração da economia e piora do crédito; preço-alvo do Ibovespa para 2026 recua de 190 mil para 185 mil pontos
O JPMorgan rebaixou nesta terça-feira, 11, a recomendação para as ações brasileiras de overweight para neutra, posição que o banco mantinha desde março de 2025. No mesmo dia, o dólar à vista fechou em alta de 0,98%, a R$ 5,1608, e o Ibovespa recuou 2,50%, aos 167,8 mil pontos, menor patamar desde janeiro.
A recomendação overweight indica que o investidor deve manter no ativo uma fatia maior do que a do índice de referência. Ao passar para neutra, o banco orienta que a exposição fique alinhada ao peso do país na carteira comparativa, sem aposta adicional.
O JPMorgan também reduziu o preço-alvo do Ibovespa para o fim de 2026, de 190 mil para 185 mil pontos.
O que o banco alegou
O relatório aponta três motivos para a mudança: a proximidade do fim do ciclo de cortes de juros, a desaceleração do crescimento econômico e a deterioração do ciclo de crédito. A instituição acrescentou a incerteza sobre o quadro político e o desafio que caberá ao vencedor da eleição de outubro, que assumirá com juros reais elevados e déficit fiscal.
"De maneira geral, tudo parece muito calmo em relação aos preços, e optamos por ficar de fora antes de nos aproximarmos da volatilidade", diz trecho do relatório do banco, segundo o Poder360.
Na política monetária, o JPMorgan projeta corte de 0,25 ponto percentual na Selic em setembro, seguido de pausa prolongada até o segundo trimestre de 2027. A taxa básica está em 14,00% ao ano, após redução de 0,25 ponto decidida em 5 de agosto.
- Recomendação: de overweight para neutra, após permanecer overweight desde março de 2025
- Preço-alvo do Ibovespa para o fim de 2026: de 190 mil para 185 mil pontos
- Dólar à vista: alta de 0,98%, a R$ 5,1608
- Ibovespa: queda de 2,50%, aos 167,8 mil pontos
- Selic: 14,00% ao ano, após corte de 0,25 ponto em 5 de agosto
O que mais pesou no pregão
Além do rebaixamento, o mercado operou com o IPCA de julho, que subiu 0,07% contra expectativa de 0,03%, e com a leitura da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), avaliada como mais dura em relação à inflação. Incertezas geopolíticas ligadas ao Irã e a saída de capital estrangeiro completaram o quadro de aversão ao risco no dia.
O relatório do JPMorgan é distribuído a clientes e não representa posição oficial do governo brasileiro nem projeção de órgão público. A Fazenda mantém suas próprias estimativas para atividade e contas públicas. Veja a projeção de crescimento da Fazenda para 2026.