Banco Central faz dois leilões de dólar de até US$ 1 bilhão nesta sexta
Operação de linha tem liquidação em 22 de setembro e recompras marcadas para fevereiro e abril de 2027
O Banco Central realizou nesta sexta-feira, 18, dois leilões de venda de dólares com compromisso de recompra, no valor total de até US$ 1 bilhão. A operação foi anunciada em comunicado divulgado pela autoridade monetária na quinta-feira, 17.
Segundo o comunicado, as propostas foram recebidas das 10h30 às 10h35. A venda do Banco Central tem liquidação em 22 de setembro. A recompra do primeiro leilão está marcada para 2 de fevereiro de 2027 e a do segundo, para 2 de abril de 2027.
São os chamados leilões de linha. Neles o Banco Central não vende reservas em definitivo: entrega dólares ao mercado à vista e se compromete a recomprá-los em data futura já contratada. O instrumento é usado para atender demanda pontual por moeda estrangeira sem reduzir o estoque de reservas internacionais.
O que o mercado aponta como causa
A leitura de operadores do mercado de câmbio, reproduzida por CNN Brasil e O Povo, é de que havia demanda represada por dólares, possivelmente ligada a remessas de fim de trimestre e ao posicionamento defensivo de fundos diante do calendário eleitoral. O Banco Central não atribui motivação no comunicado, que trata apenas das condições operacionais da oferta.
O primeiro turno das eleições gerais está marcado para 4 de outubro. A proximidade da votação costuma elevar a procura por proteção cambial entre investidores institucionais.
Ao longo do pregão desta sexta-feira, o dólar oscilou com dois vetores em direções opostas: o índice DXY e os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos pressionando a moeda para cima e a expectativa dos leilões do Banco Central puxando para baixo.
Como a operação funciona na prática
- O Banco Central vende dólares à vista a instituições financeiras;
- o comprador assume o compromisso de devolver a moeda na data de recompra contratada;
- o estoque de reservas internacionais não é consumido em definitivo;
- a oferta alivia a pressão de curto prazo sem sinalizar mudança no regime de câmbio flutuante.
A atuação por leilão de linha é distinta da venda direta de reservas e do swap cambial. No swap, o Banco Central oferece um contrato derivativo liquidado em reais, sem entrega de moeda estrangeira. No leilão de linha, há entrega efetiva de dólares, com data de volta marcada.
O Banco Central não informou se fará novas operações da mesma natureza nas próximas semanas. A instituição divulga cada leilão por comunicado específico, em geral na véspera.