Economia

Exportações beneficiadas pelo acordo Mercosul-UE crescem 21% em cinco meses, diz Mdic

Abacate, mel e óleo de milho lideram a alta; número difere dos 30% citados pelo ministro este mês

Neste texto4 tópicos
  1. Quais produtos mais cresceram
  2. Por que o número de 30% não bate
  3. O que diz o governo
  4. Onde o exportador consulta as regras

As exportações brasileiras de produtos beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia cresceram 21% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. O dado foi divulgado nesta quinta-feira, 29, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O recorte corresponde aos cinco primeiros meses de aplicação provisória do tratado, em vigor desde 1º de maio. Os instrumentos do acordo foram assinados em janeiro, depois de negociações que começaram em 1999.

Quais produtos mais cresceram

Segundo o ministério, as maiores altas foram de abacates frescos (421%), mel (367%) e óleo de milho (266%). A lista divulgada traz ainda:

  • ferrossilício-manganês: alta de 173%;
  • alumínio em bruto: 107%;
  • óleos combustíveis: 102%;
  • etanol: 95,2%;
  • óleo essencial de laranja: 75,8%;
  • maçãs frescas: 29%.

Os transformadores elétricos aparecem à parte. As vendas do produto à União Europeia saíram de zero, entre maio e setembro de 2025, para US$ 39 milhões no mesmo intervalo deste ano, o equivalente a R$ 209 milhões, segundo a Folhapress.

Gráfico de barras com a alta das exportações de abacate, mel, óleo de milho e outros produtos à União Europeia
Variação das exportações de produtos beneficiados pelo acordo, de maio a setembro de 2026 sobre o mesmo período de 2025Elaboração: Resenhando, com dados do Mdic

Por que o número de 30% não bate

Este mês, em evento com jornalistas, o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, disse que as exportações brasileiras para a União Europeia haviam subido 30% entre maio e setembro, informou a Folhapress. A nota do Mdic desta quinta usa 21% e trata dos produtos beneficiados pelo acordo. A nota não menciona o número anterior nem explica a distância entre os dois percentuais.

A Folhapress ressalvou ainda que os dados divulgados não permitem separar quanto do crescimento vem da entrada em vigor do acordo e quanto vem de outros fatores.

O que diz o governo

A pauta de produtos que subiram mistura setores. Segundo o Mdic, as variações abrangem itens agropecuários e bens industriais, em um período marcado pelo início da aplicação das preferências tarifárias. A União Europeia é um dos principais parceiros comerciais do país, lembra o ministério.

O ministério atribui o desempenho à redução de tarifas, que, segundo a nota, amplia a competitividade dos produtos brasileiros no mercado europeu. Para o ministro, o acordo "é uma conquista da política comercial brasileira e um passo importante para o desenvolvimento do país".

A secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, afirmou que "os primeiros resultados são positivos" e que há "um potencial importante a ser explorado", tanto para quem já exporta quanto para empresas que ainda não vendem ao exterior. O objetivo, disse, é que os benefícios cheguem a mais empresas.

O bloco europeu reúne cerca de 720 milhões de pessoas e tem PIB combinado acima de US$ 22 trilhões, de acordo com o Mdic. Em outra frente do comércio exterior, as cotas da Noruega para carne, milho e mel passam a valer em 1º de novembro. Já a indústria do aço apresenta o outro lado da abertura: a siderurgia relatou à Câmara 5 mil demissões e a entrada de aço chinês pelo Mercosul.

Onde o exportador consulta as regras

Para quem quer vender à Europa com tarifa reduzida, o Mdic mantém no Portal Siscomex a página dos acordos comerciais, com o manual de regras de origem, o manual de desgravação tarifária, o de indicações geográficas e as tabelas de preferências tarifárias por produto. A íntegra da nota está no site do Mdic.