Economia

Brasil retoma negociação com os EUA com tarifa de 37,5% já em vigor

Sobretaxa acumulada atinge US$ 6,6 bilhões em exportações; governo quer reduzir a alíquota e ampliar a lista de produtos isentos

O governo brasileiro pretende retomar em agosto a negociação com os Estados Unidos sobre a sobretaxa aplicada a produtos nacionais, que chegou a 37,5%. O objetivo declarado é reduzir a alíquota e ampliar a lista de itens isentos, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

As conversas serão retomadas com as tarifas já plenamente em vigor. A sobretaxa foi montada em duas etapas: uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e, depois, um acréscimo de 12,5%.

A interlocução brasileira é conduzida pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Do lado americano, o negociador é o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, chefe do escritório conhecido pela sigla USTR. O último encontro de alto nível entre os dois governos ocorreu em julho.

Quanto da pauta exportadora é atingido

Levantamento divulgado pela Agência Brasil em 24 de julho, com base nos dados oficiais das medidas americanas, distribui as exportações brasileiras aos Estados Unidos da seguinte forma:

  • 16,5% (US$ 6,6 bilhões) passam a pagar a sobretaxa acumulada de 37,5%;
  • 52,7% (US$ 21,3 bilhões) permanecem fora das novas sobretaxas;
  • 24,2% (US$ 9,8 bilhões) continuam sujeitos a tarifas setoriais já existentes;
  • 4,7% (US$ 1,9 bilhão) são tributados apenas em 12,5%;
  • 1,9% (US$ 800 milhões) pagam somente a sobretaxa de 25%.

O comércio bilateral já vinha em queda antes da medida. O Brasil exportou US$ 40,4 bilhões aos Estados Unidos em 2024 e US$ 37,7 bilhões em 2025. No primeiro semestre de 2026, o valor somou US$ 17,4 bilhões, retração de 13% na comparação com igual período do ano anterior. A participação americana nas exportações brasileiras caiu de 12,1% para 9,4%, e a corrente de comércio entre os dois países recuou 12,8%.

Entre os itens com maior queda estão o petróleo bruto, com recuo de 30,4%, e os produtos semiacabados de ferro e aço, com 21,7%.

Por que a lista de exceções concentra a disputa

A lista de exceções decide, na prática, quanto da pauta exportadora sente a tarifa. Produto excluído entra no mercado americano nas condições anteriores; produto na lista cheia perde competitividade diante de concorrentes de países sem sobretaxa equivalente.

A negociação por exceções costuma avançar mais rápido que a da alíquota geral porque permite acordo setor a setor, sem que nenhum dos dois governos recue publicamente do percentual anunciado.

Enquanto não há acordo, o exportador tem três caminhos, todos com custo: absorver a tarifa na margem, repassar o valor ao comprador americano ou redirecionar volume para outros mercados. Contratos de fornecimento com entrega no segundo semestre foram fechados antes da sobretaxa, e a diferença de preço recai sobre quem já se comprometeu a entregar.

Não há data anunciada para a próxima rodada formal entre os dois governos. O governo brasileiro trabalha com a hipótese de reuniões técnicas ao longo de agosto, antes de qualquer encontro de alto nível.

4 visualizações