Brasil vira o segundo país mais tarifado pelos EUA, atrás só da China
Tarifa média sobre produtos brasileiros chega a 17,7% depois da sobretaxa da Seção 301; China lidera com 27,2% e União Europeia, México e Canadá preservam vantagem
O Brasil se tornou o segundo país que mais paga tarifas para vender aos Estados Unidos, atrás apenas da China. A tarifa média sobre produtos brasileiros no mercado americano chegou a 17,7%, contra 27,2% aplicados aos chineses, segundo levantamento publicado pela Gazeta do Povo em 29 de julho.
A virada aconteceu entre os dias 22 e 24 de julho, quando o governo de Donald Trump passou a aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Somou-se a isso uma sobretaxa de 12,5% resultante de investigação sobre trabalho forçado.
Do 13º ao 2º lugar em poucos dias
Antes dessa rodada, o Brasil ocupava a 13ª posição no ranking dos países mais tarifados pelos americanos. O salto para o segundo lugar coloca o país num grupo até então reservado a adversários comerciais declarados de Washington.
A justificativa apresentada pelo governo americano na investigação da Seção 301 mistura temas de comércio digital e de meio ambiente. O texto alega que decisões do Judiciário brasileiro prejudicaram empresas de tecnologia dos Estados Unidos e aponta problemas na abertura do mercado de etanol, na proteção à propriedade intelectual e no desmatamento ilegal.
- 17,7%: tarifa média americana sobre produtos brasileiros
- 27,2%: tarifa média aplicada à China, a maior do ranking
- 25%: sobretaxa da Seção 301, em vigor desde 22 de julho
- 12,5%: tarifa adicional decorrente da investigação sobre trabalho forçado
- 13ª posição: lugar que o Brasil ocupava antes desta rodada
Quem paga a conta
Os setores mais atingidos são couro, madeira, móveis, borracha, celulose, papel, minerais não metálicos, fumo, máquinas, equipamentos elétricos e produtos de informática. São cadeias intensivas em mão de obra, com forte presença no Sul e no Sudeste, e que dependem do comprador americano para escoar produção.
Cerca de 85% das exportações brasileiras escaparam da cobrança, graças à lista de exceções. Aeronaves, café, carnes e minérios continuam fora da sobretaxa, o que preserva a maior parte do valor exportado e explica por que o impacto agregado é menor do que sugere o tamanho da alíquota.
A União Europeia, o México e o Canadá preservaram ou até ganharam vantagem no mercado americano na mesma rodada de negociações.
Concorrentes ganham espaço
Enquanto o Brasil sobe no ranking de tarifados, os principais concorrentes seguiram na direção oposta. União Europeia, México e Canadá mantiveram as condições de acesso ou melhoraram sua posição relativa no mercado americano.
Na prática, o exportador brasileiro de móveis ou de máquinas passa a disputar o mesmo comprador com um rival mexicano que não paga a sobretaxa. A diferença de preço no destino é o que define o contrato, e é nesse ponto que a tarifa deixa de ser um número de planilha e vira perda de mercado.
O governo brasileiro segue tentando negociar exceções adicionais. Leia também: Tarifa adicional de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor.