Economia

Ao menos 43 multinacionais encerraram operações no Brasil desde 2015

Levantamento do Poder360 reúne empresas que fecharam fábricas, pararam a produção ou venderam seus negócios no país entre maio de 2015 e setembro de 2026

Ao menos 43 empresas estrangeiras encerraram a produção, fecharam fábricas ou venderam seus negócios no Brasil entre maio de 2015 e setembro de 2026, segundo levantamento publicado pelo Poder360 neste sábado, 19. O período cobre 11 anos e quatro governos.

Os Estados Unidos concentram o maior número de saídas, com 16 empresas. Em seguida vêm o Reino Unido, com 6, e o Japão, com 4. Alemanha e França aparecem com 3 cada, e Espanha, Colômbia e Suíça, com 2. China, Holanda, Índia, Israel e México completam a lista com uma empresa cada.

Os setores atingidos incluem o automobilístico, o de alimentação, eletrônicos, varejo de beleza, moda, medicamentos, cimento, louças e metais. Segundo o levantamento, 17 das 43 saídas ocorreram durante a pandemia de covid-19.

O que as empresas declararam

Os motivos informados pelas próprias companhias, de acordo com o Poder360, se repetem: reestruturação global, revisão de portfólio, alta tributária, custo de importação, concorrência local, instabilidade econômica, regulação complexa e baixa rentabilidade.

Entre os casos mais conhecidos estão a Ford, que anunciou em 2021 o encerramento da produção de veículos no país, e a Mercedes-Benz, que parou a fabricação de automóveis de passeio em 2020. A Sony encerrou a produção no mesmo ano. A lista traz ainda Kirin (2017), Lush (2018), Walmart e Glovo (2019), Holcim (2021), Forever 21 (2022) e AES (2024).

O caso mais recente é o da General Mills, dona das marcas Yoki e Kitano. A americana vendeu a operação brasileira ao Grupo 3corações por R$ 800 milhões, negócio que inclui as unidades de Pouso Alegre, em Minas Gerais, e Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso. Em comunicado, a companhia disse que a venda reforça a prioridade de reformular o portfólio e concentrar o segmento internacional em plataformas globais. As operações brasileiras responderam por cerca de US$ 350 milhões das vendas líquidas da empresa no ano fiscal de 2025.

O peso do custo de operar no país

A carga tributária aparece entre as razões declaradas em parte dos casos. Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação mostram que a carga efetiva chegou a 41,1% da renda, o equivalente a 150 dias de trabalho por ano para pagar tributos.

O levantamento não afirma que a saída das 43 empresas tem uma causa única, e as justificativas apresentadas variam caso a caso. Decisões de matriz, como corte de linhas de produto no mundo inteiro, aparecem lado a lado com fatores locais.

A contabilidade também não inclui as empresas estrangeiras que entraram no país no mesmo intervalo, nem o volume de investimento direto que permaneceu. O dado mede a saída, não o saldo.

A reforma tributária em implantação altera parte do quadro citado pelas empresas a partir de 2027, com a substituição de cinco tributos sobre consumo pela CBS e pelo IBS. O efeito sobre a decisão de fabricar no Brasil só poderá ser medido depois da transição, que se estende até 2033.

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