Carga tributária efetiva chega a 41,1% e consome 150 dias de trabalho
Levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação mostra que a renda obtida de janeiro ao fim de maio foi integralmente destinada ao pagamento de tributos
A carga tributária efetiva suportada pelo brasileiro chegou a 41,1% da renda em 2026, o equivalente a 150 dias de trabalho destinados apenas ao pagamento de impostos, taxas e contribuições. O cálculo é do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, o IBPT, e considera tributos sobre salários, aplicações financeiras, consumo de produtos e serviços e propriedade de bens.
Pela metodologia do instituto, toda a renda obtida entre janeiro e o fim de maio foi consumida pelo pagamento de tributos. Só a partir daí o contribuinte passa a trabalhar para si.
O peso não é uniforme entre as faixas de renda. Segundo o levantamento, quem recebe até R$ 3 mil por mês recolhe alíquota efetiva de 39,18%, o que corresponde a 134 dias de trabalho. Na faixa entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, a alíquota sobe para 43,01%, ou 157 dias. Acima de R$ 10 mil, o IBPT calcula 41,1%, ou 150 dias, percentual menor que o da faixa intermediária.
O que explica a variação recente
O instituto atribui o movimento dos últimos anos a um conjunto de alterações tributárias: aumentos de alíquota do ICMS em diferentes estados, mudanças no IOF sobre operações de crédito, tributação das apostas esportivas on-line, cobranças sobre produtos importados e modificações na tributação da atividade empresarial.
Na comparação histórica, o instituto registra que em 1986 o contribuinte trabalhava cerca de 82 dias por ano para quitar a conta tributária. Em quatro décadas, o número praticamente dobrou. Nos últimos vinte anos, o indicador oscilou entre 140 e 150 dias.
Como ler o número
O índice do IBPT mede a parcela da renda do contribuinte comprometida com tributos e não se confunde com a carga tributária oficial, calculada pela relação entre a arrecadação total e o Produto Interno Bruto. São bases distintas: uma parte do bolso de quem paga, a outra do tamanho da economia. Por isso os dois indicadores costumam apontar percentuais diferentes para o mesmo ano.
O estudo também não separa o que retorna ao contribuinte na forma de serviço público. O instituto publica anualmente um índice próprio de retorno dos tributos, medido em outra pesquisa.
O dado chega no momento em que a reforma tributária sobre o consumo avança na fase de implementação, com a substituição gradual de PIS, Cofins, ICMS e ISS pela CBS e pelo IBS. O cronograma de transição prevê anos de convivência entre os dois sistemas, e o efeito sobre a carga efetiva depende das alíquotas que vierem a ser fixadas.
A Receita Federal já adiou parte do calendário de adaptação das empresas, como mostramos em Receita adia o destaque de impostos na nota fiscal da reforma tributária.