Gilmar Mendes chama Mendonça de pixuleco eleitoral e defende Gonet
Decano do STF diz que o colega agiu como boneco de campanha ao retirar o sigilo de relatório da PF com mensagens do procurador-geral da República
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes chamou o colega André Mendonça de "boneco de campanha" e "pixuleco eleitoral" em publicação nas redes sociais na quinta-feira, 17, ao sair em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O texto foi divulgado dois dias depois do embate entre os dois ministros no plenário da Corte.
Na publicação, o decano do STF afirmou que Gonet teve a "honra injustamente manchada" com a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal que reproduz mensagens enviadas por um advogado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A decisão de tornar público o material foi de Mendonça, relator do caso, às vésperas do 7 de Setembro.
"Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha", escreveu Gilmar Mendes. Ele comparou o episódio à Operação Lava Jato: "Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método". O termo pixuleco faz referência ao boneco inflável levado a atos de rua, segundo o Poder360, que divulgou a publicação na manhã de quinta-feira.
Gilmar sustentou ainda que o próprio relator reconheceu em plenário que não havia ilícito na conduta do procurador-geral, e que a reputação de Gonet tem reconhecimento em diferentes campos políticos. A informação foi publicada também pela CNN Brasil, na mesma manhã.
O que aconteceu na sessão de 15 de setembro
A troca de acusações começou na sessão plenária de terça-feira, 15, em que o Supremo analisava a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. Da tribuna, Gilmar Mendes disse ser "impressionante que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação".
Quando Mendonça pediu a palavra, o decano completou: "Pode chorar". O relator respondeu em seguida: "A desfaçatez de Vossa Excelência, me respeite", e acrescentou: "Não estou chorando, não".
O relatório em discussão integra a apuração sobre o Banco Master, cujo fundador, Daniel Vorcaro, está preso. As mensagens citadas no documento foram encaminhadas por um advogado a Vorcaro e mencionam o procurador-geral da República.
A resposta de Mendonça
André Mendonça rebateu as críticas e afirmou ser curioso que Gilmar Mendes cobre agora a exposição de um colega, depois de ter pedido a publicação integral da investigação. O ministro negou ter facilitado vazamentos e disse que a preocupação com a imagem de integrantes da Corte tem sido seletiva.
Mendonça também afirmou, em declarações divulgadas em 17 de setembro, que foi avisado sobre possíveis represálias por ter levado dados da Polícia Federal ao Supremo. Leia em Mendonça diz que foi avisado de represálias.
O Supremo não divulgou nota oficial sobre a troca de acusações entre os dois ministros até a publicação deste texto. A assessoria da Procuradoria-Geral da República também não se manifestou publicamente sobre a defesa feita por Gilmar Mendes.
O julgamento sobre a atuação de Mendonça no caso Master estava marcado para 23 de setembro e foi retirado de pauta pelo presidente do STF, Edson Fachin, sem nova data. No despacho, Fachin citou a relação entre o processo e uma questão de ordem que discute a regularidade da própria relatoria.
Gonet segue à frente da PGR. O Conselho Superior do Ministério Público Federal julga em 25 de setembro a permanência dele no acompanhamento do caso Banco Master.