Balança comercial tem superávit de US$ 9,76 bilhões em junho
Resultado é 66,6% maior que o de junho de 2025 e levou o MDIC a elevar a projeção do saldo de 2026 para US$ 90 bilhões
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,76 bilhões em junho, alta de 66,6% na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A corrente de comércio, que soma exportações e importações, cresceu 20,3% e chegou a US$ 62,80 bilhões.
As exportações somaram US$ 36,28 bilhões no mês, avanço de 24,9% sobre junho do ano passado. As importações totalizaram US$ 26,52 bilhões, com alta de 14,4%. A diferença entre os dois ritmos explica o salto do saldo.
O aumento das vendas externas foi liderado pela indústria extrativa, seguida da indústria de transformação e do agronegócio. Petróleo, soja, carnes e minério de ferro estão entre os produtos que puxaram o resultado.
O que muda na projeção do ano
Com o desempenho do comércio exterior no primeiro semestre, que fechou com superávit acumulado de US$ 42,4 bilhões, o MDIC revisou para cima as estimativas de 2026. A projeção de saldo passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões.
A previsão de exportações subiu de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões. A de importações foi de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões. Se confirmada, a marca de US$ 90 bilhões colocaria o saldo entre os maiores já registrados pelo país.
A revisão embute uma aposta: a de que o ritmo do primeiro semestre resiste no segundo, apesar da tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. O Brasil é hoje o segundo país mais tarifado pelo governo americano, com alíquota média de 17,7%.
O peso do minério e do agro na conta
O resultado de junho reforça a dependência da pauta exportadora brasileira de produtos básicos. Petróleo bruto, minério de ferro e soja em grão respondem pela maior parte do valor embarcado, o que expõe o saldo à variação dos preços internacionais dessas commodities e ao ritmo da demanda chinesa.
Analistas de mercado consultados antes da divulgação projetavam saldo maior que o registrado, o que levou o número de junho a ficar abaixo das expectativas médias, ainda que bem acima do resultado do ano anterior.
Procurado, o MDIC informa em suas publicações que a metodologia da balança considera a média por dia útil na comparação entre períodos, critério que reduz distorções de calendário entre um mês e outro.
O saldo comercial é uma das principais fontes de entrada de dólares na economia brasileira e influencia diretamente a taxa de câmbio e as reservas internacionais. Superávits elevados costumam pressionar o real para cima frente ao dólar, com efeito duplo: barateiam importações e produtos com componente importado, e reduzem a receita em reais do exportador.
Para o produtor rural, a conta é feita em duas pontas. O volume embarcado de soja e de carnes sustenta a receita do setor, mas a valorização do câmbio corrói a margem convertida em reais no momento da venda. É a razão pela qual entidades do agronegócio acompanham a projeção de saldo do MDIC com a mesma atenção que dedicam ao Plano Safra.
Os dados consolidados da balança comercial são publicados mensalmente pela Secretaria de Comércio Exterior e ficam disponíveis no portal do ministério, com abertura por produto, país de destino e estado exportador.