Agronegócio

Exportações do agro batem recorde de US$ 16,34 bi em julho

Soja e carnes puxam o resultado; café e açúcar caem no mês e China responde por 34,5% das vendas do setor

As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 16,34 bilhões em julho de 2026, o maior valor já registrado para o mês. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 13, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O resultado representa alta de 5,4% sobre os US$ 15,50 bilhões embarcados em julho de 2025. No mês, o setor respondeu por 47,9% de tudo o que o país vendeu ao exterior.

A soja puxou o resultado. As vendas do complexo somaram US$ 7,15 bilhões, avanço de 22,4% na comparação anual. Só a soja em grãos rendeu US$ 5,87 bilhões, alta de 17,4%, com 13,4 milhões de toneladas embarcadas, recorde em valor e em volume para o mês.

As carnes ficaram em segundo lugar entre os setores exportadores, com US$ 2,91 bilhões e crescimento de 5,2% sobre julho do ano passado.

Para onde foi a produção

A China seguiu como principal compradora do agronegócio brasileiro. Foram US$ 5,64 bilhões em julho, o equivalente a 34,5% de todo o valor exportado pelo setor no mês. Do total de soja em grãos vendido pelo Brasil, 70% foi para o mercado chinês, com US$ 4,11 bilhões e alta de 5,9% na comparação anual.

A União Europeia manteve a segunda posição, com US$ 2,4 bilhões e participação de 14,7%.

A concentração em um único comprador é o dado que costuma passar batido na leitura do recorde. Com um terço das vendas do setor indo para a China, decisões de política comercial de Pequim, de sanidade animal ou de estoque estratégico chegam rápido à receita do produtor brasileiro.

Os números do mês, em resumo:

  • Exportações do agro em julho: US$ 16,34 bilhões, alta de 5,4%
  • Participação no total exportado pelo Brasil: 47,9%
  • Complexo soja: US$ 7,15 bilhões, alta de 22,4%
  • Soja em grãos: US$ 5,87 bilhões e 13,4 milhões de toneladas
  • Carnes: US$ 2,91 bilhões, alta de 5,2%
  • China: US$ 5,64 bilhões, 34,5% do total
  • União Europeia: US$ 2,4 bilhões, 14,7% do total

Nem todos os setores acompanharam o resultado. As vendas externas de celulose cresceram 30,8% no mês, enquanto o café não torrado recuou 21,8% e o açúcar de cana em bruto caiu 32,6% em valor, com US$ 849,61 milhões, ante US$ 1,26 bilhão em julho de 2025.

O recorde do mês, portanto, tem base estreita. Ele se apoia na soja e nas carnes, e convive com queda de dois dos produtos que costumam sustentar a pauta brasileira quando o grão perde força no calendário de embarques.

Como fica o acumulado do ano

De janeiro a julho de 2026, as exportações do agronegócio chegaram a US$ 103,39 bilhões, avanço de 6% sobre o mesmo período de 2025 e também recorde para o intervalo. As importações do setor no mesmo período somaram US$ 11,71 bilhões, o que deixa o saldo comercial do agro em US$ 91,68 bilhões.

O desempenho ocorre no ano em que o setor conviveu com a disputa tarifária com os Estados Unidos, que atingiu parte da pauta exportadora brasileira. Produtos como carne bovina, café e suco de laranja ficaram fora da lista tarifada, enquanto outros itens entraram na sobretaxa.

O balanço mensal do Mapa é publicado com base nos dados de comércio exterior da Secretaria de Comércio Exterior. A próxima divulgação, referente a agosto, sai em setembro, e vai indicar se o ritmo dos embarques de soja se sustenta na entressafra.

Leia também: carne, café e suco de laranja ficaram fora da tarifa americana.

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