Política

PF aponta atuação de Jaques Wagner em quatro frentes do Banco Master

Documentos remetidos ao STF citam consignado, regras do FGC, venda ao BRB e créditos de carbono; senador diz que provará a inocência

Relatórios da Polícia Federal remetidos ao Supremo Tribunal Federal (STF) apontam atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA) em quatro frentes de interesse do antigo Banco Master, segundo reportagem publicada pela Gazeta do Povo nesta terça-feira, 4. Os documentos, chamados de Informações de Polícia Judiciária (IPJs), tratam da relação do parlamentar com o controlador da instituição, o empresário Augusto Ferreira Lima.

As quatro frentes citadas pela investigação são a ampliação do crédito consignado, a mudança nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a negociação para a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB) e a regulamentação do mercado brasileiro de créditos de carbono.

Os relatórios também registram, segundo a publicação, indícios de vantagens econômicas recebidas pelo parlamentar por meio de familiares e de pessoas de confiança. Entre os pontos destacados está a contratação da BN Financeira pelo banco, com exclusividade em crédito consignado. Uma das sócias da empresa é nora do senador.

A apuração está em fase preliminar. As IPJs reúnem elementos colhidos pela Polícia Federal e são encaminhadas ao Supremo, a quem cabe decidir sobre o prosseguimento. Não há, até o momento, denúncia formal do Ministério Público contra o senador nem conclusão sobre a existência de irregularidade.

O caso do Banco Master tramita no Supremo porque alcança parlamentares com foro privilegiado. A tentativa de venda ao BRB, banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal, não se concretizou e segue como um dos pontos apurados.

A resposta do senador

Procurada pela Gazeta do Povo, a assessoria de Jaques Wagner não respondeu aos questionamentos específicos da reportagem. O senador declarou estar tranquilo com as investigações e afirmou ter certeza de que vai provar sua inocência, e disse confiar que a apuração das instituições afastará as suspeitas.

Wagner cumpre o segundo mandato pela Bahia e foi governador do estado por dois mandatos, além de ter ocupado os ministérios do Trabalho e da Defesa e a Casa Civil em governos do PT.

As quatro frentes, uma a uma

O crédito consignado e as regras do FGC são os dois pontos de maior alcance regulatório. O consignado é a principal linha de captação de bancos médios voltados a servidores e aposentados. Já o Fundo Garantidor de Créditos é o mecanismo que devolve ao investidor, até um teto por CPF e por instituição, o dinheiro aplicado em banco que quebra. Mudanças nessas duas regras alteram diretamente a capacidade de um banco médio crescer.

A venda ao BRB e os créditos de carbono são frentes de outra natureza. A operação com o banco público do Distrito Federal envolveria a transferência do controle acionário e passou por análise regulatória. A regulamentação do mercado de carbono, por sua vez, tramitou no Congresso e cria um ativo negociável cujo desenho beneficia ou prejudica instituições financeiras conforme a redação aprovada.

O patrimônio declarado do senador já havia entrado no radar. Em declaração à Justiça Eleitoral, Wagner registrou crescimento de 63,1% entre 2018 e 2026.

Cabe ao relator no Supremo decidir sobre o encaminhamento das informações. A Procuradoria-Geral da República pode pedir novas diligências, arquivar ou oferecer denúncia. Enquanto isso não ocorre, o senador não é réu e não responde a acusação formal.

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