Política

Patrimônio declarado de Jaques Wagner cresce 631% em oito anos

Comparação entre as declarações do senador à Justiça Eleitoral em 2018 e em 2026 aponta diferença de R$ 21,16 milhões

O patrimônio declarado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA) à Justiça Eleitoral passou de R$ 3,35 milhões em 2018 para R$ 24,52 milhões em 2026, alta de 631% em oito anos. A diferença entre as duas declarações é de R$ 21.166.388,92, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (3) pela coluna Grande Angular, do portal Metrópoles.

Os valores constam das declarações de bens que candidatos são obrigados a apresentar no momento do registro de candidatura. O documento é público e fica disponível no sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Wagner foi eleito senador pela Bahia em 2018, com mandato até 2027. Antes disso, governou o estado por dois mandatos e ocupou os ministérios da Defesa e da Casa Civil no segundo governo de Dilma Rousseff.

O senador não comentou publicamente os números até a publicação desta reportagem.

Como funciona a declaração ao TSE

A declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral registra o valor de aquisição dos bens, e não o preço de mercado. Imóveis comprados há décadas costumam aparecer pelo valor original, o que produz distorções nas comparações entre anos.

A variação também pode refletir a inclusão de bens antes não declarados, herança, venda de participação societária, rendimento de aplicações financeiras ou correção de informações apontada pela Justiça Eleitoral. O documento não detalha a origem dos recursos, apenas relaciona os bens e seus valores.

O período coberto pela comparação vai de 2018, quando Wagner disputou o Senado, até 2026, ano em que os políticos que concorrem precisam entregar nova declaração no registro de candidatura, cujo prazo se encerra em 15 de agosto.

A evolução patrimonial de detentores de mandato é acompanhada pelo Ministério Público Eleitoral e, em casos de indício de incompatibilidade com a renda declarada, pode virar objeto de representação.

O que a declaração mostra e o que não mostra

O DivulgaCandContas reúne, além da declaração de bens, os dados de arrecadação e gasto das campanhas, a certidão criminal apresentada no registro e a documentação partidária do candidato. É a principal base pública de consulta sobre quem disputa eleição no país.

O sistema, porém, não cruza a declaração com a evolução de renda do parlamentar nem com movimentação bancária, informação protegida por sigilo. A comparação entre dois anos, por isso, indica variação patrimonial, sem estabelecer por si só qualquer irregularidade.

A cobrança sobre esse tipo de dado tende a crescer nos meses de registro de candidatura, quando as declarações de todos os concorrentes ficam disponíveis ao mesmo tempo e permitem comparação direta entre adversários.

A declaração de 2018 foi apresentada quando Wagner disputou o Senado, e a de 2026 acompanha o novo registro de candidatura. As duas seguem o mesmo formulário, o que torna a comparação direta entre os dois momentos.

O prazo para a entrega das declarações deste ano encerra junto com o registro de candidatura, e é a partir daí que os dados de todos os candidatos ficam abertos à consulta no site do TSE, sem necessidade de cadastro.

Wagner é um dos nomes de maior peso do PT na Bahia e atua como articulador do governo no Congresso. O estado é um dos principais colégios eleitorais do Nordeste e concentra parte relevante do desempenho do partido em disputas nacionais.

O Resenhando também acompanhou a convenção nacional do PT realizada no domingo, que definiu o quadro do partido para a disputa deste ano.

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