Cultura

Moraes aparece em 72% dos posts sobre o Master no dia da sessão do STF

Levantamento do DSC LAB mediu 153.485 publicações no Facebook e no Instagram; Mendonça é o segundo mais citado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes foi citado em 72% das publicações sobre o caso Banco Master feitas no Facebook e no Instagram em 15 de setembro, dia em que o plenário da Corte discutiu se autoriza uma investigação contra ele. Os dados são de levantamento do DSC LAB, laboratório de dados, comunicação e comportamento digital da Descomplica, divulgado nesta quinta-feira, 17, pelo Poder360.

Naquela data, Moraes apareceu em 12.952 publicações ligadas ao que o estudo chama de caso Vorcaro, alta de 529% sobre a terça-feira anterior, 8 de setembro. Das menções ao ministro, 55% traziam tom crítico, classificado pelo levantamento como exposição adversa.

O ministro André Mendonça, ex-relator do caso, ficou em segundo lugar, com 7.652 publicações, o equivalente a 43% das menções do dia. Desse total, 19,9% continham críticas diretas a ele.

O que o público mais comentou

O assunto de maior alcance não foi a conduta pessoal dos ministros, e sim o rito. A discussão sobre a relatoria, o sigilo e a tramitação conduzida por Mendonça apareceu em 8.112 posts, ou 45,6% de todo o universo de publicações do dia. A distribuição dos demais temas ficou assim:

  • menções a contatos, mensagens e minutas vinculadas a Moraes: 6.291 posts, 35,3% do total do dia;
  • pedidos de investigação, afastamento, impeachment ou prisão de Moraes: 710 posts, 4,0%;
  • entrega de dados telefônicos e acesso por gabinetes: 399 posts, 2,2%.

Entre os políticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou 692 menções nas duas redes no dia da sessão, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 407. Segundo o estudo, as publicações contrárias ao presidente se concentraram em críticas à atuação da Polícia Federal e em cobranças por medidas do Executivo.

No acumulado de 15 dias, a ordem se inverte: Flávio Bolsonaro lidera em citações, com 14.811, contra 13.002 de Lula. O senador também registrou o maior índice de desgaste de imagem da amostra, 80,8 em uma escala de 0 a 100 de reputação negativa, puxado por críticas dirigidas ao STF e pela repercussão em torno do filme Dark Horse.

Como o levantamento foi feito

O DSC LAB analisou 153.485 publicações veiculadas entre 31 de agosto e 16 de setembro de 2026. A amostra considerou posts que mencionaram nominalmente atores, órgãos ou eixos temáticos ligados ao caso do Banco Master, divididos em 13 eixos principais. Foram mapeadas 20.090 contas ativas, e o conjunto acumulou 274 milhões de interações e 4,74 bilhões de visualizações.

O recorte tem um limite declarado: o estudo olhou apenas Facebook e Instagram, as duas plataformas da Meta, escolha que o laboratório justifica por concentrarem a maior parcela do público brasileiro. Redes onde o debate político costuma ser mais intenso, como X, YouTube e TikTok, ficaram de fora. O volume se dividiu de forma quase idêntica entre as duas redes analisadas, com 76.754 e 76.731 publicações.

A sessão que puxou o pico foi a de 15 de setembro. O plenário passou o dia discutindo se deveria julgar o pedido de investigação contra Moraes, e o julgamento acabou suspenso por pedido de vista do ministro Flávio Dino. Antes disso, o decano Gilmar Mendes havia proposto questão de ordem alegando procedimentos errados adotados por Mendonça.

O presidente da Corte, Edson Fachin, separou depois os dois julgamentos e marcou para 23 de setembro a sessão que vai analisá-los. Até lá, os processos do caso Master seguem parados.

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