Mendonça e Fux pedem à PF ajuda para abrir dados do celular de Vorcaro
Os dois ministros do STF enviaram ofícios separados ao diretor-geral Andrei Rodrigues e pediram verificação da integridade das cópias que chegaram aos gabinetes
Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Luiz Fux enviaram ofícios separados ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, pedindo apoio técnico para abrir arquivos com dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. A informação foi divulgada pelo Poder360 no sábado, 19 de setembro.
Segundo os documentos, os gabinetes não conseguiram abrir o material enviado, que reúne dados brutos extraídos pela corporação. Os dois ministros pediram que a Polícia Federal verifique a integridade das cópias remetidas aos gabinetes.
O pedido é de natureza técnica e não altera o andamento das apurações. Mendonça atuava como relator de inquéritos sobre o Banco Master e sobre fraudes em descontos de benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O que já estava em curso
Em 12 de setembro, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afastou temporariamente Mendonça da condução desses inquéritos. Em 15 de setembro, a corte começou a analisar relatório da Polícia Federal sobre conversas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Os dados do aparelho do banqueiro estão no centro dessa sequência de decisões. O material foi extraído pela Polícia Federal e distribuído aos gabinetes envolvidos, e é justamente o acesso a essas cópias que os dois ofícios tratam.
Nenhum dos dois ministros descreveu o conteúdo dos arquivos nos documentos enviados à corporação. O Resenhando também não reproduz material extraído de aparelho apreendido.
O acesso ao conteúdo do aparelho já havia mobilizado outros gabinetes da corte. O ministro Cristiano Zanin pediu a Fachin acesso à íntegra do celular de Vorcaro, e a Procuradoria-Geral da República cobrou o presidente do STF sobre um pedido da Polícia Federal para obter dados de investigados com foro privilegiado.
Os ofícios de Mendonça e de Fux entram nessa mesma fila: são o terceiro movimento conhecido, em menos de duas semanas, de gabinetes do Supremo em torno do material recolhido no aparelho do banqueiro.
Onde o caso está
Daniel Vorcaro está preso preventivamente. Em 18 de setembro, a defesa pediu a Fachin a revogação da prisão preventiva. Dias antes, em 14 de setembro, Mendonça havia retirado o sigilo da rede de pagamentos ligada ao Banco Master.
Não havia, até a publicação desta reportagem, registro público de resposta da Polícia Federal aos dois ofícios. A corporação não divulgou nota sobre o pedido, e os gabinetes de Mendonça e de Fux não informaram prazo para a verificação.
A dificuldade de leitura de extrações de aparelhos celulares não é incomum em inquéritos com grande volume de dados: o material sai em formatos próprios de ferramentas forenses e depende de programa compatível para ser aberto. O que os ofícios pedem é exatamente esse suporte, além da conferência de que as cópias chegaram íntegras.
Enquanto a verificação não ocorre, os inquéritos seguem sob a relatoria definida por Fachin depois do afastamento de 12 de setembro. A tramitação dos dados extraídos é etapa instrutória e ainda não produziu decisão nova divulgada pela corte.