Operação mira infiltração do PCC no transporte público de São Paulo
Polícia Civil e Ministério Público cumprem 16 mandados de prisão e 18 de busca em sete cidades
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público estadual deflagraram nesta quinta-feira, 17, a Operação Vectura Corrupta, que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.
As ordens judiciais foram cumpridas em sete cidades: São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. A investigação trata de lavagem de dinheiro e do uso de empresas do setor para dar aparência lícita a recursos da facção.
Entre os alvos está o ex-vereador Milton Leite, que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo. Em nota, sua assessoria afirmou que ele comprovará a inocência.
"Estou em viagem, não estou foragido e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas"
A frase é do próprio Milton Leite, divulgada pela assessoria. Ele não teve a prisão cumprida até a publicação desta reportagem e responde na condição de investigado, sem condenação.
O que está sob apuração
O transporte coletivo da capital paulista opera por concessão, com empresas privadas remuneradas por contrato com a prefeitura e subsídio público. É esse desenho que a investigação alcança: a suspeita é de que a facção tenha entrado na cadeia societária e nos contratos de serviço ligados ao sistema.
A Polícia Civil e o Ministério Público não informaram o volume financeiro movimentado pelo esquema nem quantas empresas estão sob análise. Também não detalharam se há contratos vigentes entre as investigadas e o poder público municipal.
A prefeitura de São Paulo não divulgou manifestação sobre a operação até a publicação desta reportagem.
Por que o caso importa
A entrada do PCC em setores da economia formal é o eixo das investigações recentes sobre a facção. Em operações anteriores, os alvos foram postos de combustível, fintechs e fundos de investimento. Em agosto, a Casa Civil tirou de um pregão do Planalto uma empresa investigada por elo com a facção. O transporte público acrescenta a esse rol um serviço pago diretamente pelo contribuinte, por tarifa e por subsídio.
O tamanho do subsídio ao transporte na capital paulista é decidido em orçamento municipal e aprovado pela Câmara, a mesma casa que Milton Leite presidiu. A investigação não imputa responsabilidade à Câmara como instituição.
A Polícia Civil informou que a operação prossegue.