Segurança

PF mira sete institutos de previdência que aplicaram no Banco Master

Regimes próprios de seis estados somam R$ 3,6 bilhões em aplicações investigadas; RioPrevidência concentra cerca de R$ 3 bilhões

A Polícia Federal já teve como alvo sete institutos de previdência de servidores públicos que aplicaram dinheiro no Banco Master, em seis estados, desde a primeira operação contra o banco fundado por Daniel Vorcaro, em novembro de 2025. O conjunto das aplicações investigadas soma R$ 3,6 bilhões, segundo levantamento publicado pelo Poder360 em 13 de setembro.

Os regimes próprios alcançados pelas investigações são de Rio de Janeiro, Amapá, Alagoas, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. O dinheiro é o dos servidores estaduais e municipais desses entes, recolhido para custear aposentadorias e pensões.

O maior volume está no Rio de Janeiro. A RioPrevidência, autarquia responsável pelo regime próprio dos servidores fluminenses, concentra cerca de R$ 3 bilhões das aplicações sob apuração, de acordo com o mesmo levantamento. Ao noticiar a oitava fase da Operação Compliance Zero, em 26 de maio, a Agência Brasil informou que os aportes da autarquia em letras de crédito e fundos do Master somaram R$ 3,6 bilhões entre outubro de 2023 e outubro de 2025.

Aquela fase mirou o ex-governador Cláudio Castro. Segundo a decisão citada pela agência pública, ele "exerceu papel politicamente relevante para a viabilização dos aportes da RioPrevidência no Banco Master".

Como o dinheiro dos servidores chegou ao banco

A maior parte dos investimentos foi feita em letras de crédito, papéis que não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em troca, conforme o Poder360, os governos recebiam promessas de retorno acima da média praticada pelo mercado financeiro.

O FGC é o fundo privado que devolve até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição quando um banco quebra, e a proteção só vale para os papéis previstos em seu regulamento. Aplicação fora dessa lista fica exposta ao risco do emissor, o que joga a perda sobre o caixa da previdência do servidor.

A liquidação do Master e das demais instituições do grupo deixou um rombo estimado em R$ 52 bilhões, o maior do sistema bancário brasileiro. A Operação Compliance Zero chegou à nona fase em 18 de junho, e a PF estima que a apuração pode alcançar 60 fases, segundo a Gazeta do Povo.

O que já apareceu fora do Rio

As aplicações de regimes próprios menores também entraram na mira. Em agosto, a PF e a Controladoria-Geral da União cumpriram mandados sobre R$ 97 milhões do instituto de previdência de Maceió aplicados no banco. No fim do mesmo mês, a Operação Presciência apurou R$ 1,2 milhão da previdência municipal de Campo Grande em papéis do Master.

O Poder360 não nomeia os institutos dos demais estados nem informa o valor aplicado por cada um. O levantamento também não registra manifestação das autarquias citadas.

O caso corre no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro André Mendonça, que em setembro retirou o sigilo de relatório policial com mensagens e registros de reuniões de Vorcaro com autoridades públicas. Em 11 de setembro, o ministro Alexandre de Moraes enviou ofício ao ministro Edson Fachin pedindo o fim de todo o sigilo no caso.

Para o servidor estadual, o efeito prático da investigação ainda não está fechado. A recuperação dos valores aplicados depende da liquidação do banco conduzida pelo Banco Central e da eventual responsabilização dos gestores que autorizaram os aportes, duas frentes que correm em prazos próprios e sem data para conclusão.

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