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PF e CGU miram R$ 97 milhões da previdência de Maceió no Banco Master

Oito mandados autorizados por André Mendonça foram cumpridos em Alagoas e São Paulo; instituto diz que seguiu os ritos legais

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) cumpriram nesta segunda-feira, 10, oito mandados de busca e apreensão em Alagoas e em São Paulo para apurar a aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (Iprev) em operações do Banco Master. Os mandados foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a Agência Brasil, a investigação apura o "possível direcionamento dos investimentos e exposição desproporcional do patrimônio previdenciário a ativos de risco elevado e liquidez reduzida". O dinheiro dos servidores municipais foi aplicado em dezembro de 2023, com um aporte adicional de R$ 17 mil em maio de 2024.

O ponto central do inquérito são as Autorizações de Aplicação e Resgate, os documentos que registram a decisão de investir o dinheiro do regime próprio de previdência. De acordo com a autoridade policial, os formulários foram preenchidos com "justificativas genéricas e padronizadas", sem estudo comparativo de alternativas, análise suficiente de risco de crédito, avaliação de liquidez, exame da cláusula de subordinação ou motivação concreta para a escolha do Banco Master.

O que era o Banco Master

O banco pertencia ao empresário Daniel Vorcaro e foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Ao anunciar a medida, a autoridade monetária informou que a instituição havia violado normas do Sistema Financeiro Nacional e enfrentava crise de liquidez.

O modelo de captação do Master se apoiava em Certificados de Depósito Bancário com remuneração acima da média do mercado, vendidos por corretoras e plataformas digitais. Fundos de previdência de municípios e estados apareceram entre os compradores desses papéis, em aplicações que superavam com folga o teto do Fundo Garantidor de Créditos, de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ por instituição.

A cláusula de subordinação citada pela PF define a posição do credor na fila de pagamento em caso de quebra. Papéis subordinados só são pagos depois dos demais credores, o que os torna mais rentáveis e mais arriscados. É esse desenho que a investigação diz não ter sido examinado antes do aporte.

A resposta do instituto

O Iprev afirmou que "os atos relacionados aos investimentos observaram os ritos legais e administrativos aplicáveis" e disse colaborar com as autoridades. O instituto destacou que seu patrimônio passou de R$ 400 milhões, em 2021, para R$ 1,6 bilhão no período. A reportagem da Agência Brasil informou não ter conseguido contato com os investigados.

O caso se soma às apurações abertas depois da liquidação do Master. A PF já investiga em outras frentes os negócios do banco, incluindo a atuação de intermediários na venda dos títulos a fundos públicos e a negociação, não concluída, em que o Banco de Brasília chegou a anunciar a compra de parte dos ativos da instituição.

Regimes próprios de previdência municipais administram a aposentadoria de servidores efetivos e são fiscalizados pela Secretaria de Regimes Próprios e Complementares do Ministério da Previdência Social, além dos tribunais de contas estaduais. A legislação exige que cada aplicação seja precedida de análise de risco e de aderência à política de investimentos aprovada pelo conselho do instituto.

A fiscalização desses fundos é feita depois do fato consumado. O aporte questionado é de dezembro de 2023 e a liquidação do banco veio quase dois anos depois, em novembro de 2025. Entre uma data e outra, o dinheiro dos servidores permaneceu em papéis cuja recuperação agora depende da fila de credores da massa liquidanda.

Quando o dinheiro de um regime próprio some, a conta não fica com o gestor: volta para o município, que precisa cobrir o rombo com recursos do orçamento corrente para manter o pagamento das aposentadorias. Maceió tem cerca de um milhão de habitantes e é a maior cidade de Alagoas.

A CGU não divulgou nome para a operação. A Agência Brasil não registrou manifestação da prefeitura de Maceió nem da massa liquidanda do Banco Master sobre os mandados.

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