Lula negocia com Alcolumbre indicar Rodrigo Pacheco ao STF ainda em 2026, diz Valor
Valor diz que Lula e Alcolumbre discutiram indicar Rodrigo Pacheco ao STF ainda em 2026. O Planalto não confirmou; veja o que se sabe e o que falta.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negocia com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a indicação do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Rodrigo Pacheco para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), com a intenção de fechar a escolha ainda em 2026. A informação foi publicada pelo Valor Econômico na terça-feira, 27, e replicada por CNN Brasil, O Tempo e GGN. Nenhuma das reportagens traz confirmação oficial do Planalto.
Segundo o Valor, o assunto entrou na pauta de um jantar na segunda-feira, 26, entre Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O encontro tratou também do Orçamento de 2027, de um possível pacote fiscal e da proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A reportagem do jornal não informa qual vaga Pacheco ocuparia.
Pacheco presidiu o Senado entre 2021 e 2025 e hoje é ministro do TCU. Alcolumbre sempre o preferiu ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que acabou indicado por Lula. O Senado rejeitou Messias em abril, por 42 votos a 34, o que levou o presidente e Alcolumbre a meses de rompimento, segundo O Tempo e o GGN.
Por que a pressa antes de fevereiro
O GGN, citando apuração da CNN, afirma que integrantes do governo querem concluir a escolha ainda neste ano para aproveitar a composição atual do Senado. Os senadores e deputados eleitos em outubro tomam posse em fevereiro de 2027. Pelo relato de O Tempo, Alcolumbre avalia que, com a Casa como está, teria votos para aprovar Pacheco "sem sobressaltos". Uma indicação ao Supremo precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado e depois pelo plenário.
A CNN também apurou que a tendência no governo é indicar Pacheco com respaldo de uma ala do próprio STF e boa aceitação entre os senadores. Essas informações vêm de interlocutores, sem nomes, e não foram confirmadas pelo Planalto nem pelo Senado.
A vaga do TCU entra na conta
A saída de Pacheco abriria uma vaga no TCU, e o PT, segundo o GGN, quer garantias sobre quem a ocuparia. O governo chegou a avaliar o nome de Simone Tebet. A CNN apurou que Gleisi Hoffmann voltou a ser cogitada para o tribunal de contas, já que a vaga reservada à Câmara, antes prevista para o ex-deputado Odair Cunha, deixou de ser problema com a ida dela ao Planalto. Não há acordo fechado.
Na mesma linha de negociação, de acordo com o Valor, estão indicações para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Todas dependem do Senado, comandado por Alcolumbre. Segundo as reportagens, o PT decidiu apoiar a recondução de Motta na Câmara, e a federação União Progressista, de União Brasil e PP, anunciou apoio a Alcolumbre.
O Resenhando já mostrou como a as vagas abertas no Supremo entram no calendário de indicações e como Alcolumbre retirou a PEC da Segurança da pauta do plenário, proposta que o Planalto quer aprovar antes do fim do ano.
Nada disso é decisão. O Planalto precisa enviar mensagem formal ao Senado com o nome escolhido, e a sabatina na CCJ só é marcada depois disso. O Valor e a CNN descrevem conversas de bastidor,. Até a publicação, não havia manifestação oficial do Planalto sobre o nome de Pacheco. As medidas provisórias das bets e do Desenrola entram em regime de urgência em 9 de novembro e têm prazo inicial de votação até 23 de novembro, o que ocupa a mesma pauta do Senado nas próximas semanas.