Política

Gilmar Mendes critica condução do TSE nas eleições: "silêncios e hesitações não são neutros"

Decano do STF não cita nomes, mas reportagens apontam a presidência de Nunes Marques; ministro elogia o colegiado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou, sem citar nomes, a condução da Justiça Eleitoral nas eleições de 2026, presidida pelo também ministro do STF Kassio Nunes Marques. A manifestação foi publicada na noite de segunda-feira, 2 de novembro, na rede social X, oito dias depois do segundo turno.

"De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe", escreveu o decano da Corte. E seguiu: "Na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros."

Segundo Gilmar, a ausência de manifestações pode "abrir espaço para decisões contraditórias", levar outras instâncias a suprir o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de "pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável".

O elogio ao colegiado

A mensagem também traz um reconhecimento ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). "Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel", disse o ministro, que atribuiu ao colegiado a garantia de que a disputa transcorresse "dentro das regras do jogo democrático". Ele acrescentou: "A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado."

O texto não cita Nunes Marques. A identificação do alvo vem das reportagens do Metrópoles e da CNN Brasil, que apontam a presidência do TSE como destinatária da crítica.

O que Nunes Marques já havia dito

Antes da publicação de Gilmar, o presidente do TSE divulgou nota, depois de uma carta do senador Flávio Bolsonaro (PL) em que o candidato derrotado acusava "fraude eleitoral" sem apresentar provas. Nunes Marques afirmou que as eleições "transcorreram dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais". No mesmo comunicado, mencionou "instabilidade na reta final de votação", superada, segundo ele, pelas medidas adotadas e pela competência dos técnicos do tribunal.

A votação foi prorrogada até as 19h por decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, depois que as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio relataram dificuldades no transporte público. Dados do TSE citados pela CNN Brasil indicam que 34.393 votos foram computados depois das 17h, menos de 1% da diferença final: Lula obteve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos) e Flávio, 59.826.041 (48,21%).

Até a publicação desta matéria, o Resenhando não localizou resposta de Nunes Marques à mensagem de Gilmar. O espaço segue aberto. O Resenhando já registrou antes críticas à postura do presidente do TSE sobre a urna eletrônica e o posicionamento de Gilmar sobre o sistema eleitoral em agosto.

Fontes: CNN Brasil, 03/11/2026; Metrópoles, 03/11/2026.