Política

Empresa citada em inquérito sobre Lulinha soma R$ 182 mi em três estados

A 3Structure It tem contratos com Rio de Janeiro, Paraná e Minas Gerais; Dino autorizou o terceiro inquérito contra o filho de Lula

A empresa de tecnologia da informação 3Structure It, investigada pela Polícia Federal por suspeita de ter sido beneficiada por tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, acumula R$ 182 milhões em contratos com os governos do Rio de Janeiro, do Paraná e de Minas Gerais. O levantamento foi publicado pelo Poder360 nesta terça-feira (4) e atualizado nesta quarta (5).

No mesmo dia 4 de agosto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino autorizou a abertura do terceiro inquérito da Polícia Federal contra o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A nova apuração trata da suspeita de atuação para facilitar contratos da empresa com órgãos do governo federal.

Onde está o dinheiro

A concentração dos valores está no Rio de Janeiro, que responde por 88% do total contratado. A distribuição por estado é a seguinte:

  • Rio de Janeiro: R$ 160.585.361,00 em 30 contratos, firmados entre dezembro de 2022 e março de 2026
  • Paraná: R$ 17.212.340,04 em 4 contratos, do fim de 2025 a julho de 2026
  • Minas Gerais: R$ 4.649.835,56 em 3 contratos, entre 2023 e 2025

Cinco dos seis contratos federais mapeados foram celebrados na gestão Lula. O mais antigo é de novembro de 2022, ainda no governo de Jair Bolsonaro (PL), e recebeu em julho deste ano um acréscimo de mais de R$ 3,5 milhões.

O que apura a Polícia Federal

Para os investigadores, Lulinha atuou para prospectar negócios da empresa junto a diferentes órgãos da administração pública federal. A hipótese em apuração é a de tráfico de influência, crime previsto no artigo 332 do Código Penal, que pune com reclusão de dois a cinco anos quem solicita ou recebe vantagem a pretexto de influir em ato de servidor público.

Na mesma decisão, Dino autorizou a Polícia Federal a investigar possíveis vazamentos ilegais de informações sigilosas de apurações em andamento, incluindo procedimentos que envolvem o filho do presidente.

Três inquéritos em duas semanas

A autorização de Dino é a terceira frente aberta contra Lulinha no Supremo, e a segunda em menos de uma semana. Em 30 de julho, o ministro André Mendonça liberou outra investigação, sobre suspeita de corrupção e tráfico de influência na autorização para comercialização de cannabis medicinal em programas ligados ao Ministério da Saúde.

O acúmulo de procedimentos tem um efeito prático: cada inquérito corre com relator próprio, o que dilui a apuração entre gabinetes diferentes e alonga o prazo até uma eventual denúncia da Procuradoria-Geral da República.

O outro lado

A 3Structure It afirmou que os contratos foram firmados com absoluta transparência e que Lulinha não realizou atividades de lobby nesses contratos. A defesa do filho do presidente não respondeu ao levantamento sobre os contratos estaduais até a publicação da reportagem.

Sobre a nova investigação, o advogado Marco Aurélio de Carvalho declarou que a defesa tem confiança e respeito na atuação de Dino e afirmou que o ministro tem autoridade e competência para lidar com o que classificou como instrumentalização política de parte da Polícia Federal.

Entre os estados, apenas o Paraná se manifestou, e informou que as contratações passaram por licitações transparentes. Os governos do Rio de Janeiro e de Minas Gerais não responderam.

A conta que fica

Os R$ 182 milhões dizem respeito apenas às contratações estaduais mapeadas, e não incluem os contratos federais objeto do novo inquérito. O valor sai do orçamento de três estados que passaram os últimos anos negociando o alongamento de suas dívidas com a União.

A apuração se soma a outras investigações da Polícia Federal com desdobramentos no Supremo neste semestre, entre elas a Operação Sem Desconto, que apura desvios em descontos associativos de aposentados do INSS.

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