PF diz que advogado comprou mansão de R$ 6 milhões usada por Weverton Rocha
Relatório enviado a André Mendonça aponta imóvel no Lago Sul adquirido em 2023 por empresa ligada a Willer Tomaz, descrito pelos investigadores como hub financeiro do esquema do INSS
A Polícia Federal aponta que uma casa avaliada em R$ 6 milhões, no Lago Sul, em Brasília, foi comprada pelo advogado Willer Tomaz e usada pelo senador Weverton Rocha (PDT-MA). A informação consta de relatório enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que embasou a nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em 4 de agosto no Distrito Federal e no Maranhão.
Segundo os investigadores, o imóvel foi adquirido em abril de 2023 pela WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa ligada a Tomaz, embora o senador tenha participado das tratativas da compra. Para a PF, a operação integra o esquema de lavagem de recursos desviados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio de estruturas empresariais e de terceiros.
O que diz o relatório
O documento descreve o advogado como o centro financeiro da estrutura investigada. A corporação afirma que Tomaz funcionaria como verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico colocado à disposição dos beneficiários dos recursos ilícitos, grupo no qual estaria incluído o senador maranhense.
Na fase deflagrada nesta semana foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, autorizados por Mendonça, relator do caso no STF. Weverton Rocha não é alvo direto desta etapa, que mira pessoas do seu entorno. A apuração sobre o senador tramita no Supremo por causa do foro por prerrogativa de função.
O que dizem os citados
Willer Tomaz afirmou que a busca decorreu do fato de ser proprietário de aeronave usada em caráter estritamente particular pelo senador, sem qualquer vínculo com as fraudes previdenciárias investigadas. O gabinete de Weverton Rocha não se manifestou sobre o teor do relatório até a publicação desta reportagem, e o senador nega irregularidades em manifestações anteriores sobre o caso.
Não há denúncia formal contra o senador. A abertura de eventual ação penal depende de manifestação da Procuradoria-Geral da República e de decisão do STF.
A distinção importa no estágio atual: o que existe é relatório policial encaminhado ao relator, peça de investigação que sustenta medidas cautelares como busca e apreensão, mas que não equivale a acusação formal. A PGR pode denunciar, pedir novas diligências ou arquivar.
Como fica a tramitação
A Operação Sem Desconto investiga desde 2025 o esquema de descontos associativos aplicados sem autorização sobre benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. As cobranças eram lançadas em folha por entidades que diziam representar segurados, e milhões de beneficiários só perceberam a subtração ao conferir o extrato do próprio pagamento.
A apuração conduzida pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União estima o rombo em R$ 6,3 bilhões, com cerca de 4,1 milhões de beneficiários atingidos entre 2019 e 2024. O governo federal suspendeu os descontos associativos em folha no fim de abril de 2025, depois da primeira fase da operação.
O ressarcimento corre em paralelo à investigação criminal. O INSS já devolveu R$ 3,26 bilhões a cerca de 4,8 milhões de aposentados e pensionistas, referentes a descontos aplicados entre março de 2020 e março de 2025.
O caso tem duas frentes que caminham em ritmos diferentes. A devolução aos segurados avança por via administrativa, enquanto a responsabilização criminal dos operadores do esquema depende do inquérito no STF, sem prazo definido para conclusão. A PF encerrou o primeiro inquérito ligado à operação em 14 de julho.
Com o material apreendido, a PF passa à análise de documentos, aparelhos eletrônicos e registros financeiros. O foco declarado desta etapa é a ocultação de patrimônio, com rastreamento de contas de terceiros, empresas de fachada e movimentações em espécie.
A informação sobre a mansão foi divulgada inicialmente pelo Poder360 e reproduzida por Metrópoles e Revista Fórum.
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