Política

Defesa de Lulinha chama de criminosa a escolha do nome Elli pela PF

Advogado Marco Aurélio Carvalho fala em provocação; Planalto não se manifestou

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, classificou como criminosa a escolha do nome Elli para a linha de investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A informação foi publicada nesta terça-feira, 25, pela Gazeta do Povo.

Segundo o jornal, a denominação provocou reação entre aliados do presidente pela semelhança fonética com a letra L, associada ao gesto que virou marca das campanhas do PT. Um aliado de Lula afirmou ao veículo que a escolha só poderia ter sido feita com a intenção de remeter ao "faz o L", às vésperas do período eleitoral.

O advogado Marco Aurélio Carvalho, que representa Lulinha, disse que a escolha "não é só infeliz, é criminosa" e afirmou que o episódio precisa ser esclarecido. "Pode ser mera provocação. Espero que a Polícia Federal esclareça", declarou. Ele descreveu a apuração como uma "perseguição implacável" e acusou "setores da Polícia Federal" de atuarem "sob interesses político-eleitorais".

O que a apuração investiga

A linha de investigação apura suspeitas de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e possível sociedade oculta entre Lulinha, a empresária Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. São três inquéritos distintos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal, dois deles sob relatoria do ministro André Mendonça e um sob a do ministro Flávio Dino.

A defesa contesta a autenticidade das mensagens que embasam parte da apuração e nega a existência de vínculo formal ou de sociedade entre os investigados.

O nome atribuído a uma linha de investigação não produz efeito processual. Ele serve para identificar a apuração na rotina interna da corporação e na comunicação com a imprensa, o que coloca a discussão desta semana no terreno político, e não no do inquérito.

Como fica o caso

O Palácio do Planalto não se manifestou sobre a repercussão até a publicação da reportagem. A Polícia Federal também não divulgou nota explicando o critério usado na escolha do nome.

A apuração sobre Lulinha se acumulou ao longo de agosto. O inquérito por tráfico de influência foi autorizado por Mendonça e, desde então, vieram a público o relatório que aponta R$ 300 mil em espécie com a lobista Roberta Luchsinger, os registros de 42 visitas dela a órgãos federais em 16 meses e o teor de mensagens obtidas pela PF.

Em 20 de agosto, o próprio Mendonça determinou que a Polícia Federal investigue o vazamento de conteúdo dos inquéritos sobre Lulinha. Naquele mesmo mês, o presidente Lula recebeu Marco Aurélio Carvalho no Palácio da Alvorada em um encontro de cerca de três horas, e afirmou em entrevista que acredita no filho e que não vai interferir na Polícia Federal.

Em 21 de agosto, o Estadão publicou o teor de mensagens obtidas pelo inquérito, e as defesas dos citados passaram a responder nominalmente. Roberta Luchsinger é representada pelo advogado Roberto Podval. O empresário Marco Aurélio Santana Ribeiro respondeu por meio de assessoria.

A tese de motivação política vem sendo sustentada pela defesa desde o início do mês, período em que o vazamento de conteúdo dos inquéritos passou a ser objeto de apuração determinada pelo próprio relator.

As três apurações seguem em curso sob supervisão do Supremo.

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