Urna eletrônica ganha nova interface para as Eleições Gerais de 2026
TSE adota fonte desenvolvida pelo Braille Institute, inclui barra de progresso na tela e amplia a atuação dos intérpretes de Libras
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentou a nova interface da urna eletrônica que será usada nas Eleições Gerais de 2026. As mudanças foram divulgadas pelo tribunal em 8 de agosto e alcançam a tipografia da tela, a indicação de progresso da votação e a cobertura dos vídeos em Libras.
A principal alteração visual é a troca da fonte. A urna passa a usar a Atkinson Hyperlegible, desenvolvida pelo Braille Institute e desenhada para reduzir confusão entre caracteres parecidos, com ênfase em contraste, espaçamento e definição das letras.
A tela também ganha uma barra de progresso na parte superior. O recurso indica em que etapa da votação o eleitor está e quais cargos já foram votados, informação que antes não aparecia de forma explícita durante o processo.
O que muda na tela
Além da fonte e da barra de progresso, as telas foram redesenhadas para melhorar a usabilidade. A atuação dos intérpretes de Libras foi ampliada: os vídeos passam a indicar situações como voto em branco, voto nulo e voto de legenda, que antes não tinham sinalização própria.
O desenvolvimento contou com avaliação técnica externa. Participaram do processo o chefe da Seção de Voto Informatizado do TSE, Rodrigo Coimbra, e a professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo Lucia Vilela Leite Filgueiras. O tribunal também submeteu a interface a testes com usuários.
"As letras estão mais definidas, a fonte ficou melhor e a barra de progresso ajuda bastante", afirmou o assistente administrativo Silvio Trindade, um dos participantes dos testes citados pelo TSE.
Como o eleitor se prepara
As mudanças valem para as Eleições Gerais de 2026, que elegem presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais. A comunicação do TSE não vincula as alterações a uma resolução específica, e o tribunal não divulgou calendário próprio de treinamento associado à nova interface.
- Nova fonte: Atkinson Hyperlegible, do Braille Institute
- Barra de progresso com as etapas e os cargos já votados
- Telas redesenhadas para uso mais direto
- Libras cobrindo voto em branco, voto nulo e voto de legenda
- Vigência: Eleições Gerais de 2026
Alterações de interface não afetam a arquitetura de segurança do equipamento nem os procedimentos de auditoria previstos em norma. O TSE mantém as etapas usuais de verificação, entre elas o teste de integridade realizado no dia da votação com urnas sorteadas.
O eleitor pode consultar a situação do próprio título e o local de votação pelo aplicativo e-Título ou pelo Autoatendimento Eleitoral no site do TSE. A conferência antecipada evita deslocamento indevido no dia do pleito, sobretudo para quem mudou de endereço desde a última eleição.
O calendário eleitoral de 2026 já produziu efeitos sobre a formação das chapas, como mostra a análise sobre a corrida presidencial dividida em três polos.
A urna eletrônica é usada no país desde 1996 e passou por sucessivas revisões de hardware e de software. As mudanças de interface, em geral, chegam a cada ciclo eleitoral e respondem a relatórios de usabilidade produzidos após o pleito anterior, quando mesários e eleitores registram as dificuldades observadas na seção.
A escolha de uma tipografia desenhada para baixa visão tem alcance prático amplo. Além do eleitor com deficiência visual, ela beneficia o eleitorado idoso, faixa que cresce a cada eleição e que concentra parte relevante dos erros de digitação de número de candidato registrados nas urnas.
Já a barra de progresso responde a uma queixa recorrente: a de que o eleitor perde a noção de quantos cargos ainda faltam depois das primeiras telas. Em eleição geral, são seis votos em sequência, número que torna a orientação visual mais determinante do que em pleito municipal.
O tribunal costuma disponibilizar urnas para treinamento em ações de divulgação e nos cartórios eleitorais à medida que o calendário avança. A recomendação padrão é levar a chamada cola eleitoral com os números anotados, prática permitida e que reduz o tempo de permanência na cabine.