Política

Mendonça diz não ver provas robustas contra Gonet no caso Master

Fala do ministro em sessão de 15 de setembro repercute no Conselho Superior do MPF, que decide em 25 de setembro se o procurador-geral segue à frente da apuração

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou, em sessão na terça-feira, 15, não ter identificado provas robustas contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no relatório da Polícia Federal sobre o caso Banco Master. A declaração foi feita no plenário da Corte e repercutiu no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), que decide em 25 de setembro se Gonet segue à frente das apurações.

Segundo reportagem do Poder360 publicada na sexta-feira, 19, integrantes do conselho avaliam que a manifestação do ministro reforça a defesa do procurador-geral. Mendonça é o relator no STF de parte das investigações ligadas ao Banco Master e foi ele quem determinou as medidas que levaram ao relatório da PF.

O que está em julgamento no dia 25

O CSMPF vai analisar representação apresentada pelo partido Novo, que pede o afastamento de Gonet da condução do caso. O pedido tem origem em menções ao nome do procurador-geral em mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, apreendido pela Polícia Federal.

O procedimento no conselho é administrativo e não tem natureza criminal. A citação de um nome em mensagens de terceiros, por si só, não caracteriza participação em ilícito, e o colegiado decide apenas sobre a permanência do procurador-geral na função dentro daquela apuração.

A defesa de Gonet

Gonet negou proximidade com Vorcaro durante a sessão do STF de 15 de setembro. Afirmou ter encontrado o banqueiro pessoalmente uma única vez, em Londres, em abril de 2024, e ter tido uma breve conversa por telefone intermediada por um advogado, em março de 2025. Sustentou que as menções ao seu nome, nas palavras registradas pela imprensa, "não têm relevância penal e não justificam o afastamento das apurações".

No mesmo período, o procurador-geral pediu a anulação de atos praticados por Mendonça na investigação, com o argumento de que juízes não podem acusar nem conduzir apuração prévia. O Resenhando já detalhou o roteiro do colegiado: o Conselho Superior do MPF marcou para 25 de setembro a análise da permanência de Gonet no caso Master.

A apuração sobre o Banco Master corre em mais de uma frente. Além do inquérito da Polícia Federal e da atuação da PGR, o caso mobiliza o Banco Central, a Comissão de Valores Mobiliários e o próprio Supremo, onde a atuação de Mendonça na investigação chegou a ser pautada e depois retirada da pauta pelo presidente da Corte, Edson Fachin.

A decisão marcada para 25 de setembro trata apenas da condução do caso pelo procurador-geral. O mérito das investigações, inclusive sobre as mensagens apreendidas com Vorcaro, continua a cargo da Polícia Federal e do relator no Supremo.

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