Eleições 2026

TSE põe chatbot de IA para responder ao eleitor e avisa que a informação oficial prevalece

O ChatVote responde em linguagem natural no portal e no e-Título, mas o TSE avisa: em caso de divergência, vale a informação oficial.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) lançou nesta terça-feira, 22, o ChatVote, assistente virtual com inteligência artificial que responde a dúvidas sobre as Eleições 2026. A ferramenta está no canto inferior direito do portal do Tribunal e no aplicativo e-Título.

O anúncio foi feito pelo presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques. "Ela já está em funcionamento, disponível na página inicial do Portal do TSE e no aplicativo e-Título", informou. A estreia ocorre a 11 dias do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

O assistente responde sobre dia, horário e local de votação, justificativa de ausência às urnas, orientações para mesários e conteúdo das resoluções das eleições. Também devolve as dúvidas mais frequentes já recebidas pela Justiça Eleitoral. O atendimento é ininterrupto, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Pelo que o Tribunal divulgou, o assistente cobre os seguintes assuntos:

  • dia, horário e local de votação
  • justificativa de ausência às urnas
  • orientações para quem vai trabalhar como mesário
  • conteúdo das resoluções que regem as Eleições 2026
  • as perguntas mais frequentes já recebidas pela Justiça Eleitoral
Identidade visual do ChatVote: urna eletrônica com fones de ouvido, rosto sorridente na tela e um balão de conversa
A urna com fone e balão de fala é a identidade visual que o Tribunal deu ao assistente.Arte: Secom/TSE

O que muda em relação ao chatbot anterior

A Justiça Eleitoral usa chatbots desde as Eleições 2020, mas sempre com soluções contratadas. É a primeira vez que o próprio Tribunal desenvolve a ferramenta. O TSE afirma que isso amplia a autonomia da instituição para gerenciar e atualizar o sistema.

A diferença para o eleitor está no formato. O atendimento anterior funcionava por menus fechados, com opções pré-definidas. Com a incorporação de inteligência artificial, a interação passa a ser conversacional, e a pergunta pode ser feita em linguagem corrente.

O projeto foi conduzido pela Diretoria de Assuntos Estratégicos (DAE), com participação da Secretaria de Tecnologia da Informação (STI), da Secretaria de Comunicação e Multimídia (Secom) e das áreas responsáveis pelo conteúdo. O Tribunal não informou qual modelo de linguagem sustenta o assistente nem quem fornece a infraestrutura.

O aviso que o próprio chatbot dá

A nota do TSE registra uma ressalva que costuma ficar de fora da divulgação de ferramentas do tipo. O chatbot informa ao usuário que utiliza inteligência artificial e o orienta a consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral sempre que houver dúvida. Em caso de divergência, segundo o Tribunal, prevalecem as informações oficiais.

Na prática, a resposta do assistente não tem valor de certidão nem de orientação vinculante. Quem precisar confirmar local de votação, situação do título ou prazo de justificativa continua dependendo do e-Título, do Título Net e do cartório eleitoral.

O TSE informa que vai acompanhar continuamente as consultas feitas pelos usuários e a qualidade das respostas. Entre as evoluções previstas estão um sistema para o eleitor avaliar a resposta recebida, a integração do assistente ao WhatsApp e testes de interação por voz. O Tribunal não deu prazo para nenhuma das três.

A ferramenta entra no ar num período em que o uso de inteligência artificial na disputa está sob regulação da própria Justiça Eleitoral. As regras de IA na propaganda foram detalhadas por uma juíza do TRE-DF em entrevista sobre o que candidato pode e não pode publicar. O calendário da campanha também se aproxima do fim: veja o que termina em 1º de outubro na propaganda eleitoral.

O ChatVote pode ser acessado no portal do TSE e no e-Título. O Tribunal mantém, em paralelo, os canais de denúncia de desinformação e a consulta ao local de votação, que não foram substituídos pelo assistente.

O primeiro turno é em 4 de outubro e o segundo, em 25 de outubro. Em nota publicada nesta quarta-feira, 23, o TSE informou que cerca de 10,99% do eleitorado brasileiro ainda não tem biometria cadastrada, e que a ausência do dado não impede o voto de quem está regular no cadastro eleitoral. Quando a digital não é reconhecida, a urna faz até quatro tentativas e depois pergunta o ano de nascimento do eleitor. É o tipo de dúvida que o ChatVote passa a responder, sem substituir a consulta ao cartório.

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