Candidato com mais tempo de TV venceu cinco das oito eleições desde 1994
Levantamento do Poder360 mostra que a vantagem no horário eleitoral falhou em 2002, 2006 e 2018
O candidato que reuniu o maior tempo de propaganda no rádio e na televisão venceu cinco das oito eleições presidenciais realizadas desde 1994, segundo levantamento publicado pelo Poder360 no domingo, 9 de agosto. Em três disputas, o comando do horário eleitoral não se converteu em vitória.
A série começa com dois resultados que reforçam a associação entre tempo e voto. Fernando Henrique Cardoso venceu em 1994 com 7 minutos e 53 segundos, a maior fatia daquele ano, e repetiu o desempenho em 1998, quando dispôs de 11 minutos e 48 segundos. Dilma Rousseff (PT) seguiu o mesmo caminho em 2010, com 10 minutos e 38 segundos, e em 2014, com 11 minutos e 24 segundos.
O quinto caso é o mais recente e o que menos depende do tamanho do bloco. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu com 3 minutos e 39 segundos, tempo bem abaixo do que garantiu as vitórias anteriores.
As três eleições em que a vantagem não bastou
Nas outras três disputas, quem liderou o horário eleitoral perdeu. José Serra (PSDB) teve cerca de 5 minutos e 23 segundos em 2002 e foi derrotado por Lula. Geraldo Alckmin (PSDB) somou 10 minutos e 22 segundos em 2006, mais do que qualquer concorrente, e perdeu para Lula, então candidato à reeleição.
O caso de 2018 é o que mais se distanciou da lógica do horário eleitoral. Alckmin dispôs de 5 minutos e 32 segundos, o maior tempo daquele ano, e terminou o primeiro turno em quarto lugar. A eleição foi vencida por Jair Bolsonaro, que estava entre os candidatos com as menores fatias do horário eleitoral.
O desenho de 2026
Para a eleição deste ano, o horário eleitoral gratuito terá dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos, veiculados às terças, quintas e sábados no rádio e na televisão, além das inserções de 30 e 60 segundos distribuídas ao longo da programação.
Pelas projeções divulgadas até agora, Lula terá cerca de 5 minutos e 32 segundos por bloco, a maior fatia. Somado ao tempo do senador Flávio Bolsonaro (PL), o par concentra 9 minutos e 52 segundos, o equivalente a 79% do bloco. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), aparece com cerca de 2 minutos e 2 segundos, e o escritor Augusto Cury (Avante), com aproximadamente 36 segundos.
Pelas mesmas projeções, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e Renan Santos (Missão) não terão tempo no rádio e na televisão, porque suas candidaturas não alcançaram os critérios de distribuição.
A divisão segue a regra fixada na legislação eleitoral: 90% do tempo é repartido em proporção ao número de deputados federais eleitos em 2022 pelos partidos ou federações que integram cada candidatura, e os 10% restantes são divididos igualmente entre as legendas que cumpriram a cláusula de desempenho.
Os números são estimativas e só se tornam definitivos depois do encerramento do prazo de registro de candidaturas, em 15 de agosto, quando a Justiça Eleitoral consolida a composição de cada chapa. A propaganda no rádio e na televisão começa no dia 16 de agosto.
As campanhas citadas não comentaram publicamente as projeções até a publicação desta reportagem. O critério de rateio não é objeto de contestação formal apresentada por nenhuma das candidaturas até agora.
Além dos blocos, o horário eleitoral distribui inserções de 30 e 60 segundos ao longo da programação das emissoras, com rateio que segue o mesmo critério dos blocos. Na prática, o candidato com maior fatia aparece mais vezes no intervalo comercial, e não apenas no programa concentrado.
O resultado de 2022 é o dado que mais tensiona a leitura tradicional da série. Lula venceu com pouco mais de três minutos e meio, num cenário em que a disputa já se distribuía por redes sociais, transmissões ao vivo e aplicativos de mensagem. A comparação direta entre os tempos de 1998 e os de 2022 mede o mesmo instrumento em ambientes de comunicação diferentes.
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