Eleições 2026

MDB fica neutro na eleição presidencial e libera diretórios estaduais

Convenção nacional de 27 de julho decidiu não lançar candidatura própria nem firmar coligação nacional; é a primeira neutralidade do partido em 20 anos

O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) decidiu, em convenção nacional realizada em formato virtual no dia 27 de julho, não lançar candidatura própria à Presidência da República nem firmar coligação nacional para o pleito de 2026. Os diretórios estaduais ficaram liberados para formalizar alianças regionais.

É a primeira vez em 20 anos que a legenda adota neutralidade no primeiro turno da disputa presidencial. A última ocorrência foi em 2006, quando também não lançou nome próprio nem integrou chapa.

Presidente nacional do partido, o deputado federal Baleia Rossi (MDB-SP) afirmou que a decisão busca unir e pacificar a legenda. "Nossa vontade sempre é ter candidatura própria, mas vivemos um momento de muita radicalização", disse. A prioridade declarada passou a ser o fortalecimento das bancadas na Câmara e no Senado, além da eleição de governadores.

O peso da legenda na disputa

O MDB tem 10 senadores e 38 deputados federais, comanda cinco governos estaduais e cerca de 856 prefeituras. Para este ano, o partido projeta 10 candidaturas a governo estadual e disputa vagas ao Senado em 18 dos 26 estados. A meta interna é eleger ao menos 50 deputados federais e entre 10 e 12 senadores.

A neutralidade nacional convive com um partido dividido por região. Diretórios do Nordeste tendem a caminhar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto siglas estaduais do Sul se inclinam ao senador Flávio Bolsonaro (PL). No Distrito Federal, a disputa interna entre o governador Ibaneis Rocha e a governadora em exercício Celina Leão chegou a motivar pedidos de intervenção da direção nacional, segundo a Gazeta do Povo.

O partido ocupou três ministérios na atual gestão. Simone Tebet, que comandou o Planejamento e Orçamento, deixou a legenda e se filiou ao PSB. Renan Filho e Jader Filho seguiram nas outras duas pastas.

O que a decisão significa

Ao liberar os diretórios, o MDB transfere para o palanque estadual a escolha que não fez em Brasília. Na prática, o partido pode apoiar Lula em um estado e o candidato da oposição em outro, sem que isso configure quebra de acordo nacional.

O cálculo é de sobrevivência da bancada: o partido que se cola a um polo em ano de polarização perde palanque onde o adversário é forte. A conta muda no Congresso, onde uma bancada grande e sem compromisso prévio amplia o poder de negociação com qualquer governo eleito. Leia também sobre as mudanças nas regras de doação de campanha.

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