Economia

Produção industrial cai 0,8% em setembro, a quarta queda em cinco meses, diz IBGE

Resultado ficou abaixo da expectativa do mercado, de queda de 0,4%

A produção da indústria brasileira recuou 0,8% em setembro na comparação com agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 5. É a quarta queda em cinco meses, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

O resultado ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado, de queda de 0,4%, conforme a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. No acumulado de 12 meses, a produção industrial ainda tem alta de 0,2%. Os dados constam da Pesquisa Industrial Mensal e foram divulgados também pela Agência Brasil.

Nos cinco últimos meses, a perda acumulada chega a 4,1%. Isso apaga parte do ganho de 4,2% registrado nos quatro primeiros meses do ano. Com o número de setembro, o setor está 16,5% abaixo do ponto mais alto da série histórica, de maio de 2011.

O analista da pesquisa, André Macedo, afirmou que o desempenho das fábricas nos últimos meses mostra "clara redução na magnitude de crescimento".

Onde a produção caiu

A queda foi espalhada. Três das quatro grandes categorias econômicas e 17 das 25 atividades pesquisadas tiveram taxas negativas, segundo Macedo. Por categoria, o IBGE registrou:

  • bens de capital (máquinas e equipamentos): queda de 1,9%;
  • bens de consumo semi e não duráveis: queda de 1,2%;
  • bens intermediários, usados na produção de outros bens: queda de 0,7%;
  • bens de consumo duráveis: alta de 0,7%.

Entre as atividades, as maiores influências negativas vieram de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (queda de 4,2%) e de produtos alimentícios (queda de 1,7%). Macedo explicou que a produção de álcool etílico e de açúcar respondeu por boa parte das perdas, pressionadas pela redução no processamento de cana-de-açúcar, em grande parte pelo maior volume de chuvas.

A principal influência positiva foi a das indústrias extrativas, que cresceram 1,7%, com maior extração de petróleo, gás natural e minério de ferro.

Como o dado se compara a setembro de 2025

Em relação a setembro do ano passado, a produção caiu 2,5%, o recuo mais forte desde março de 2024 (queda de 2,9%). O IBGE aponta que a comparação foi afetada pelo calendário, já que setembro de 2026 teve um dia útil a menos, e por uma base elevada, pois a indústria havia avançado 2% em setembro de 2025.

O número chega um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manter a Selic em 13,75% ao ano. Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) cobrou a retomada dos cortes na reunião de dezembro, como o Resenhando mostrou ao reunir as críticas de CNI, Apas e centrais sindicais à decisão do Copom. Em outubro, o site também havia noticiado que a indústria brasileira caiu do 28º para o 62º lugar em ranking mundial de crescimento.