Economia

Produção da indústria cai 1,8% de maio para junho, aponta o IBGE

Todas as quatro grandes categorias econômicas recuaram no mês; bens de consumo semi e não duráveis lideraram a queda, com 4,1%

A produção da indústria brasileira caiu 1,8% em junho na comparação com maio, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 4 de agosto. O recuo atingiu as quatro grandes categorias econômicas acompanhadas pelo levantamento.

A maior queda ficou com os bens de consumo semiduráveis e não duráveis, de 4,1%. Os bens de consumo duráveis recuaram 3,2%, enquanto bens de capital e bens intermediários caíram 1,1% cada.

Nas demais bases de comparação o quadro é diferente. Contra junho de 2025, a produção subiu 1,7%. No acumulado de 2026, a indústria avança 1,5%, e em 12 meses o crescimento é de 0,7%.

Onde a produção caiu

Entre os ramos industriais, o setor de coque e derivados de petróleo recuou 5,9% e o de produtos químicos, 4,3%. As quedas mais acentuadas em termos percentuais vieram de farmoquímicos e de confecção de vestuário, ambos com 11%, seguidos por equipamentos eletrônicos, com 8,9%, e outros equipamentos de transporte, com 8,6%.

No sentido oposto, impressão e reprodução de gravações cresceu 20,2% no mês. Celulose e papel avançou 5,4% e a metalurgia subiu 1,4%.

A pesquisa é conduzida pelo IBGE e tem como gerente André Macedo, responsável pela PIM. O levantamento acompanha a produção física da indústria e é o primeiro indicador mensal a mostrar o comportamento do setor no trimestre encerrado.

  • Junho sobre maio: queda de 1,8%
  • Junho de 2026 sobre junho de 2025: alta de 1,7%
  • Acumulado de 2026: alta de 1,5%
  • Acumulado em 12 meses: alta de 0,7%
  • Bens de consumo semi e não duráveis: queda de 4,1%
  • Bens de consumo duráveis: queda de 3,2%
  • Bens de capital e bens intermediários: queda de 1,1% cada

A PIM acompanha a produção física da indústria extrativa e da indústria de transformação e é apurada mensalmente pelo IBGE. Por medir volume produzido, e não faturamento, o indicador não é afetado por variação de preço, o que o torna o termômetro mais direto do ritmo das fábricas.

O que o número diz sobre a atividade

A queda simultânea nas quatro categorias é o dado que pesa. Bens de capital medem investimento produtivo, bens intermediários medem o insumo que alimenta as cadeias e bens de consumo medem a demanda das famílias. Quando os três blocos recuam no mesmo mês, o movimento deixa de ser explicado por um setor específico.

A comparação interanual positiva convive com a queda na margem porque a base de junho de 2025 era mais fraca. É o padrão de uma indústria que cresce pouco: o acumulado em 12 meses, de 0,7%, mostra estabilidade, não expansão.

Para o setor produtivo, o resultado chega no mesmo período em que a Confederação Nacional da Indústria registra aumento do endividamento bancário entre empresas industriais e em que a taxa básica de juros segue no centro da discussão sobre custo de capital. Os dados da PIM alimentam o cálculo do Produto Interno Bruto do segundo trimestre, que o IBGE divulga em setembro.

O desempenho dos ramos exportadores merece atenção no segundo semestre. Coque e derivados de petróleo, que puxou parte da queda de junho, e a metalurgia, um dos poucos setores no azul, respondem por fatia relevante da pauta de exportação industrial e estão expostos a mudanças de tarifa e de demanda externa.

Já a confecção de vestuário e os farmoquímicos, os dois ramos com recuo de 11%, dependem sobretudo do mercado interno. Em ambos, a queda mensal está mais ligada à demanda doméstica e ao custo de capital de giro do que ao cenário externo.

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