Produção florestal bate recorde de R$ 47,9 bilhões, e 78,6% da área plantada é eucalipto
A floresta plantada puxou o recorde do IBGE e já vale R$ 41 bi. Veja a área por espécie, os cinco maiores estados e por que a celulose faturou menos.
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A produção florestal brasileira somou R$ 47,9 bilhões em 2025, o maior valor já registrado pelo IBGE, com alta de 6,7% sobre o ano anterior. O resultado saiu nesta quinta-feira, 24, na Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), e foi puxado inteiramente pela floresta plantada.
A silvicultura, que é a produção retirada de área plantada, subiu 8,6% e chegou a R$ 41 bilhões. A extração vegetal, tirada de área natural, caiu 3,1% e ficou em R$ 6,9 bilhões. A divisão hoje é de 85,6% para a floresta plantada e 14,4% para o extrativismo.
Quanto a floresta plantada cresceu desde 2019
O IBGE aponta alta de 165% no valor econômico da silvicultura desde 2019 e atribui o salto a avanços tecnológicos. A série do SIDRA, o banco de tabelas do próprio instituto, mostra o caminho ano a ano: R$ 15,5 bilhões em 2019, R$ 23,9 bilhões em 2021, R$ 31,7 bilhões em 2023, R$ 37,8 bilhões em 2024 e R$ 41,0 bilhões em 2025. Foram seis anos de alta sem interrupção.
Em área, as florestas plantadas somaram 10,4 milhões de hectares, ou 104 mil quilômetros quadrados. É praticamente o tamanho de Pernambuco, que tem 98 mil quilômetros quadrados.

A tabela 5930 do SIDRA permite abrir esse total espécie por espécie, o que o resumo do instituto não faz. O eucalipto ocupa 8.156.379 hectares, ou 78,6% de tudo. O pinus vem em segundo, com 1.860.199 hectares, 17,9%. Acácia negra, teca, mogno africano e cedro australiano, somados, não chegam a 1,1% da área plantada do país. Na prática, a floresta plantada brasileira é uma monocultura de eucalipto com uma segunda espécie relevante.
Por que o eucalipto dominou
A árvore fica pronta em sete a oito anos e alimenta a indústria de celulose, matéria-prima do papel. O IBGE credita a liderança brasileira também às condições de clima e solo, favoráveis ao crescimento rápido, e a "investimentos em práticas sustentáveis, que o tornam altamente competitivo no mercado internacional".
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de celulose desde 2022, quando superou o Canadá. Em 2025, produziu 22,2 milhões de toneladas, 12,7% mais que no ano anterior.
Por que o país produziu mais e faturou menos em celulose
O volume subiu, o dinheiro caiu. Em valor, a celulose rendeu US$ 10,2 bilhões, recuo de 3,9% em um ano. O IBGE explica o movimento pelo excesso de oferta global, pela desaceleração do consumo chinês, pelo consequente aumento dos estoques e pela valorização do real.
É a lógica da commodity: o produtor brasileiro não define o preço, apenas responde a ele. A celulose foi o oitavo produto mais exportado pelo país em 2025, atrás de petróleo, soja e minério de ferro, na ordem.
Onde está a produção no mapa
- Minas Gerais lidera em valor de silvicultura, com R$ 9,2 bilhões, ou 22,5% do total nacional, e concentra 84,6% do carvão vegetal produzido no país.
- Paraná aparece em seguida, com R$ 6,88 bilhões, e Mato Grosso do Sul em terceiro, com R$ 5,62 bilhões.
- São Paulo soma R$ 5,29 bilhões e Rio Grande do Sul, R$ 4,37 bilhões.
- Três Lagoas, cidade de 145 mil habitantes no leste do Mato Grosso do Sul, é o maior município produtor: R$ 1,8 bilhão, alta de 216,3% em um ano. A cidade abriga fábricas da Suzano e da Eldorado.
Ao todo, 4.889 municípios registraram produção florestal em 2025. Os produtos alimentícios da pesquisa, como açaí e erva-mate, somaram R$ 2,2 bilhões.
O que isso diz sobre o agro que sustenta a exportação
A floresta plantada é o único item da pesquisa que cresce de forma contínua, e é ela que garante a liderança mundial em celulose. A extração vegetal, que depende de área natural, recuou 3,1% e responde por menos de um sétimo do valor total. A conta de 2025 mostra um setor cada vez mais concentrado em plantio, tecnologia e escala.
O resultado se soma ao desempenho já registrado pela Produção Agrícola Municipal de 2025, de R$ 927,2 bilhões, e à projeção da Conab de 366,6 milhões de toneladas de grãos para a safra 2026/27.
Os números completos da PEVS, inclusive o recorte por município e por espécie, estão nas tabelas 291 e 5930 do SIDRA, o banco de dados do IBGE.