Alcolumbre responde à oposição na maioridade penal e critica o "radicalismo" nas redes
Após adiar a maioridade penal, Alcolumbre criticou agressões nas redes e disse que a urna eletrônica prestou desde o 1º turno. Veja a fala e o contexto.
O presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), criticou nesta quarta-feira, 4, o que chamou de "radicalismo" na política brasileira, durante a sessão do Plenário que tratou da redução da maioridade penal. Ele disse que alguns colegas passam "do debate a agressões" à Presidência, na tribuna ou em vídeos nas redes, e defendeu as urnas eletrônicas. As declarações constam de nota da Agência Senado.
O que motivou a fala
O discurso veio em resposta a senadores de oposição. Alcolumbre havia comunicado que a redução da maioridade penal será discutida por meio da PEC 32/2015, em análise numa comissão especial da Câmara, e não por calendário especial no Senado. Ele afirmou que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), considerou o tema já em debate entre os deputados desde agosto, e que Motta se comprometeu a levar o texto a votação ainda em novembro.
O líder do PL, Carlos Portinho (RJ), reagiu dizendo que o presidente do Senado descumpriu um compromisso firmado na terça-feira, 3, depois que duas emendas sobre o tema foram desmembradas da PEC da Segurança Pública. "O Senado é a Casa alta. O senhor fez um compromisso e compromisso é para ser cumprido", afirmou Portinho. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) pediu que a Câmara tenha prazo até 1º de dezembro; passada a data, valeria o requerimento assinado por mais de 50 senadores para votar a PEC no Senado com urgência. Já tratamos do adiamento da maioridade penal em outra matéria.
Em seguida, Alcolumbre falou sobre o clima político. Segundo ele, presidir o Congresso num país "absolutamente dividido" é "um drama". Disse que as redes sociais se tornaram "um instrumento de ofensas, agressões e mentiras" e que "muitos atores políticos se promoveram e ganharam eleição ofendendo e agredindo as pessoas", sem apresentar propostas. Citou ainda pessoas que fizeram campanha em frente ao Congresso com ofensas contra ele e uma liderança política que viajou ao Amapá para fazer campanha contra ele. Nenhum dos dois foi nomeado, e a nota da Agência Senado não registra resposta.
A defesa da urna eletrônica
No mesmo pronunciamento, Alcolumbre ironizou quem questiona o sistema de votação. "No primeiro turno, a urna prestou", disse. Lembrou que o sistema que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também elegeu "120 candidatos do partido do candidato que perdeu a eleição" presidencial e "vinte e tantos senadores" aliados dele. E afirmou que ainda espera "encontrar um que diga que a urna não prestou desde o primeiro turno".
Alcolumbre pediu que os parlamentares usem os microfones "para pensar o que queremos para as próximas gerações" e mantenham o foco em infraestrutura, saúde, educação e economia. Admitiu, na mesma fala, que nem sempre é possível agradar a todos.
A PEC da Segurança Pública, aprovada na terça-feira, 3, seguiu sem a redução da maioridade penal. As duas propostas desmembradas, a PEC 19/2026, de Rogerio Marinho (PL-RN), e a PEC 20/2026, de Camilo Santana (PT-CE), ficam à espera do que a Câmara decidir. Segundo Alcolumbre, Motta prometeu pôr a PEC 32/2015 em votação ainda em novembro.