Economia

Congresso quer votar o Orçamento de 2027 até 17 de dezembro, diz relator Eduardo Braga

Emendas ao projeto podem ser apresentadas de 16 a 27 de novembro; CMO vota o parecer geral no dia 16 de dezembro

O Congresso Nacional pretende votar o Orçamento Geral da União para 2027 em sessão conjunta no dia 17 de dezembro. O calendário foi apresentado na quarta-feira, 4, pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator-geral do projeto, durante sessão do Plenário do Senado.

Braga foi escolhido para a relatoria na terça-feira, 3, depois de reunião de líderes com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). É a segunda vez que ele ocupa o posto: a primeira foi em 2016. Em publicação nas redes sociais, o senador disse que vai priorizar saúde, educação, infraestrutura e segurança pública e que manterá o "compromisso com o equilíbrio fiscal", segundo a Agência Senado.

Calendário até o Plenário do Congresso

As emendas parlamentares ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) poderão ser apresentadas de 16 a 27 de novembro. Depois disso, a Comissão Mista de Orçamento (CMO) vota os relatórios em sequência: primeiro o da receita, depois o preliminar, em seguida os setoriais, que analisam as despesas por área temática, até chegar ao parecer geral, de responsabilidade de Braga.

DataEtapa
16 a 27 de novembroPrazo para emendas ao projeto
1º e 2 de dezembroRelatório da receita, na CMO
3 de dezembroRelatório preliminar, na CMO
7 a 10 de dezembroRelatórios setoriais (despesas por área), na CMO
Até 9 de dezembroRelatório final da LDO de 2027, na CMO
16 de dezembroRelatório geral do Orçamento, na CMO
17 de dezembroVotação no Plenário do Congresso

"Estamos criando condições para que possamos cumprir não só o relatório de receita, mas também o relatório preliminar e os relatórios setoriais", afirmou Braga no Plenário. O relator disse ainda que negocia com o governo federal ajustes legais que precisam ser feitos antes da votação, sem detalhar quais.

A ordem das votações importa. A Lei Orçamentária Anual de 2027 (PLN 24/2026) chegou ao Congresso em agosto, mas só pode ser votada depois da Lei de Diretrizes Orçamentárias do mesmo ano (PLN 2/2026), que fixa as metas e prioridades para a execução do gasto. As duas tramitam na CMO. O Resenhando já mostrou que a LDO de 2027 chegou atrasada e será votada junto com o Orçamento, o que explica a pressa do cronograma.

O que o governo colocou no projeto

O texto enviado pelo Executivo parte de algumas premissas que o relator poderá mexer, mas que servem de régua para o debate. A taxa básica de juros (Selic) está estimada em 12,53% ao fim de 2027, e o câmbio médio, em R$ 5,22 por dólar. O salário mínimo aparece fixado em R$ 1.741.

Na conta fiscal, o governo projeta superávit primário de R$ 18,6 bilhões, pouco mais de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O número é a diferença entre o que a União arrecada e o que gasta, sem contar os juros da dívida, e fica longe de uma folga: qualquer despesa acrescentada pelo Congresso precisa caber dentro dessa margem ou ser compensada com receita estimada a mais.

A Lei Orçamentária estima as receitas e fixa as despesas da União para o ano seguinte. A iniciativa é do Executivo, mas deputados e senadores podem alterar o texto por meio de emendas, e é aí que o relator-geral concentra o trabalho. A janela de 16 a 27 de novembro define quanto será pedido; o relatório preliminar, em 3 de dezembro, mostra o que o relator aceita levar adiante.

O cronograma completo da LOA e da LDO pode ser consultado no portal do Congresso Nacional. A próxima data a observar é 16 de novembro, quando abre o prazo para os parlamentares apresentarem emendas ao projeto. Fontes: Agência Senado (reportagens de 3 e 4 de novembro) e portal do Orçamento do Congresso Nacional.