Durigan diz que não há fórmula mágica no ajuste fiscal e adia medidas para depois da COP31
Após reunião no Alvorada, Durigan disse que não há medida fiscal definida e que propostas vão a Lula só depois da viagem, até 15 de novembro.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira, 5, que discutirá medidas para a agenda fiscal com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) só depois da volta da viagem presidencial, prevista para terminar em 15 de novembro. A reunião no Palácio da Alvorada, em Brasília, não definiu nenhum ajuste específico, segundo a Agência Brasil.
“Não há fórmula mágica, mas manutenção dos compromissos fiscais”, disse Durigan. Ele classificou o encontro como “bom, convergente em termos de diagnóstico” e disse que o governo quer apresentar propostas que conciliem responsabilidade fiscal com os compromissos sociais de Lula.
Quem estava na reunião
A lista de participantes divulgada pela agência reúne:
- ministros: Dario Durigan (Fazenda), Miriam Belchior (Casa Civil), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) e Esther Dweck (Gestão);
- Aloizio Mercadante, presidente do BNDES;
- ex-ministros e economistas: Fernando Haddad, Guido Mantega, Luciano Coutinho, Eduardo Moreira e Laura Carvalho.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado e não foi, porque o Comitê de Política Monetária (Copom) está em período de silêncio depois da decisão sobre a Selic na quarta-feira, 4. O Resenhando mostrou as críticas de CNI, centrais e Apas à decisão do comitê.
A lista da agência não traz nomes do mercado financeiro.
O que Durigan prometeu e o que ficou em aberto
O ministro disse que ele e Moretti vão considerar o que foi dito na reunião para levar propostas a Lula quando o presidente voltar da 31ª Conferência do Clima da ONU (COP31), na Turquia, e de compromissos nas Filipinas. Também prometeu definir uma agenda de desenvolvimento com prioridades por setor, “sempre com compromisso com o fiscal, de garantir superávits nos próximos anos”.
Não há, nas informações divulgadas, meta de superávit, valor de corte de despesa nem proposta de aumento de receita. Durigan afirmou que as medidas deverão preservar os compromissos sociais e contribuir para melhorar o resultado das contas, e que dará transparência às propostas.
No mesmo dia, em reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, Lula disse que o país precisa de uma “economia arrumada” para atrair investimento. “Ninguém vai fazer investimento numa economia desordenada. As pessoas querem saber se nós estamos falando sério”, afirmou, de acordo com a Agência Brasil. O presidente, reeleito em 25 de outubro, assume o quarto mandato em janeiro de 2027.
Próximo passo: a reunião ampliada foi apenas a primeira rodada. A expectativa, segundo a agência, é de novos encontros com a sociedade civil, empresários e representantes do mercado financeiro, e Durigan disse que seguirá ouvindo setores durante a viagem de Lula. As propostas só vão à mesa do presidente depois de 15 de novembro.