Política

Lula diz que investimento exige 'economia arrumada' e descarta Estado 'senhor supremo' dos minerais

Lula defendeu economia arrumada para atrair investimento em minerais críticos. A Fazenda só leva propostas fiscais ao presidente depois de 15 de novembro.

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 5, que o Brasil precisa de uma "economia arrumada" para atrair investimentos. A declaração foi dada em Brasília, na reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, que aprovou a lista de 27 minerais prioritários para a política industrial do governo.

"Para a gente atrair [investidores], temos que ter uma economia arrumada. Ninguém vai fazer investimento numa economia desordenada. As pessoas querem saber se nós estamos falando sério", disse Lula, segundo a Agência Brasil. O presidente falou em responsabilidade jurídica e fiscal e em previsibilidade para o mercado.

Lula também disse que não quer o Estado como "senhor supremo da exploração, da transformação, da industrialização" dos minerais críticos e defendeu parcerias com outros países. "Se a gente quiser atrair capital, temos que ter seriedade", afirmou.

A lista tem nove minerais de prioridade alta: terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio. Há ainda oito de prioridade média e dez de baixa. A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi sancionada em 16 de setembro e prevê até R$ 7 bilhões em incentivos a projetos de processamento e transformação, que passam a seguir essa ordem de prioridade. O governo diz que a relação não é definitiva.

O que o governo ainda não definiu

O aceno à estabilidade fiscal vem sem medida concreta. No mesmo dia, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que apresentará propostas para a agenda fiscal a Lula depois da viagem presidencial à COP31, na Turquia, e a compromissos nas Filipinas, com retorno previsto para 15 de novembro.

Durigan falou após reunião no Palácio da Alvorada com ministros, ex-ministros e economistas. Segundo ele, houve convergência no diagnóstico, com a taxa de juros e o cenário internacional entre os desafios citados, mas nenhuma medida de ajuste foi definida. "Não há fórmula mágica, mas manutenção dos compromissos fiscais", declarou o ministro, que também falou em garantir superávits nos próximos anos.

O discurso de Lula combinou o recado ao mercado com uma referência ao eleitorado que o reelegeu em 25 de outubro. "Quem ganhou essa eleição não foi um partido nem um candidato. Quem ganhou essa eleição foi o povo brasileiro", disse. Ele afirmou que é preciso provar que "valeu a pena" o esforço dos eleitores nas ruas e nas redes.

O Palácio do Planalto não detalhou, até a publicação desta matéria, quais medidas podem sair da reunião do Alvorada. Lula inicia o quarto mandato em janeiro de 2027, e o próximo passo registrado é a apresentação das propostas de Durigan e do ministro do Planejamento, Bruno Moretti, depois de 15 de novembro.