Economia

Mdic aponta alta de 21% nas exportações ao bloco europeu; ministro falou em 30%

Mdic informa alta de 21% nas exportações com tarifa reduzida pelo acordo Mercosul-UE; duas semanas antes, o ministro falou em 30,7%.

Neste texto3 tópicos
  1. O que mais cresceu nos cinco primeiros meses
  2. Dois números do mesmo governo
  3. O que o dado não mostra

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou nesta quinta-feira, 29, que as exportações brasileiras de produtos beneficiados pelo acordo entre Mercosul e União Europeia cresceram 21% entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Duas semanas antes, o ministro Márcio Elias Rosa havia citado alta de 30,7% para as vendas ao bloco europeu no mesmo intervalo.

O acordo entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio, depois de quase 27 anos de negociação. O texto foi assinado em janeiro deste ano e prevê a redução ou a eliminação gradual de tarifas entre os dois blocos. A informação sobre o novo número foi publicada pela Folhapress e reproduzida pelo Jornal de Brasília, e os dados constam das divulgações do Mdic.

O que mais cresceu nos cinco primeiros meses

Segundo o ministério, o maior salto foi o do abacate fresco, com alta de 421%. O mel subiu 367% e o óleo de milho, 266%. Na sequência vêm o ferrossilício-manganês (173%), o alumínio em bruto (107%) e os óleos combustíveis (102%).

Também aparecem na lista o etanol (95,2%), o óleo essencial de laranja (75,8%) e a maçã fresca (29%). Os transformadores elétricos saíram de zero, entre maio e setembro de 2025, para US$ 39 milhões (R$ 209 milhões) no mesmo período deste ano.

Abacates verdes pendurados em galho de abacateiro
O abacate fresco teve a maior alta entre os produtos listados pelo Mdic: 421%.Foto: Matthias Oben/Pexels

Dois números do mesmo governo

No dia 13 de outubro, durante cerimônia no Ministério da Agricultura e Pecuária, Elias Rosa apresentou crescimento de 30,7% nas exportações brasileiras para a União Europeia entre maio e setembro. Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que, "só o acordo Mercosul-União Europeia, de maio até agora, significou uma expansão de 30% das nossas exportações". As declarações foram registradas pelo Mercado & Consumo.

A Folhapress observou que o dado de agora contrasta com o que o ministro disse neste mês. Os dois números podem descrever recortes diferentes: um trata das vendas totais ao bloco europeu, o outro, dos produtos que tiveram tarifa zerada ou reduzida. A reportagem da Folha, porém, não traz explicação do ministério para a diferença.

No acumulado de janeiro a setembro, as exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 44,17 bilhões, alta de 20% sobre os nove primeiros meses de 2025, conforme o mesmo registro de 13 de outubro.

O que o dado não mostra

O governo atribui o desempenho à queda das barreiras tarifárias, que amplia a competitividade do produto brasileiro no mercado europeu. Segundo a Folhapress, os números divulgados não permitem separar quanto do crescimento vem da entrada em vigor do acordo e quanto seria resultado do ritmo normal do comércio, do câmbio ou de preços de mercadorias.

O tratado reúne mercados com cerca de 720 milhões de pessoas e PIB combinado superior a US$ 22 trilhões (R$ 118 trilhões), segundo o texto da Folhapress. Para o produtor brasileiro, o efeito prático depende das cotas e do cronograma de desgravação tarifária de cada produto, que o Mdic detalha no painel de oportunidades do acordo.

O Senado já discute as barreiras sanitárias que a União Europeia impõe à carne brasileira, e o bloco sul-americano também tem acordo com a Efta, tema da matéria sobre as cotas com a Noruega.