Economia

Juros do crédito às famílias chegam a 64% ao ano, mostra o Banco Central

Taxa média subiu 1,2 ponto em junho; rotativo do cartão cobra 442,4% ao ano e inadimplência fica em 6,2%

A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas chegou a 64% ao ano em junho, alta de 1,2 ponto percentual no mês. O dado consta das Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central.

Considerando todas as modalidades, incluindo pessoas jurídicas e crédito direcionado, a taxa média das novas concessões ficou em 33,4% ao ano, com avanço de 0,2 ponto. A pressão veio do crédito pessoal não consignado, cuja taxa subiu 7 pontos percentuais no período.

Quanto custa cada linha de crédito

  • Rotativo do cartão de crédito: 442,4% ao ano
  • Cartão parcelado: 191,4% ao ano
  • Crédito não consignado sem garantias: 149,5% ao ano
  • Cheque especial: 139,8% ao ano
  • Crédito pessoal não consignado: 127,3% ao ano
  • Média das operações com cartão: 97,4% ao ano
  • Consignado do setor privado: 54% ao ano

A diferença entre o rotativo, a 442,4%, e o consignado privado, a 54%, mede o preço da falta de garantia. Quem não consegue oferecer desconto em folha paga oito vezes mais caro pelo mesmo dinheiro.

O tamanho do aperto sobre o orçamento familiar

A inadimplência do crédito livre para pessoas físicas ficou em 6,2%, estável no mês e 0,9 ponto acima do registrado doze meses antes. O endividamento das famílias alcançou 49,8% em maio, e o comprometimento de renda ficou em 28,5% no mesmo mês.

Os dois indicadores contam a mesma história por ângulos diferentes. Praticamente metade da renda anual das famílias está comprometida com dívidas, e mais de um quarto do que entra por mês vai direto para o pagamento de parcelas e juros, antes de qualquer consumo.

Por que a conta não cede

Com a Selic no patamar atual, o custo de captação dos bancos permanece alto e é repassado ao tomador final. Mas a distância entre a taxa básica e os 442,4% do rotativo mostra que a política monetária explica apenas parte do problema. O restante vem do risco de inadimplência precificado pelas instituições e da estrutura de concorrência do crédito no varejo bancário.

O efeito prático é o encolhimento da renda disponível. Cada ponto a mais na taxa média reduz o espaço para consumo e desloca recursos das famílias para o sistema financeiro, sem contrapartida em investimento produtivo.

O que fazer com uma dívida cara

  • Trocar o rotativo do cartão por uma linha mais barata antes do fechamento da fatura;
  • Priorizar a quitação da dívida com maior taxa, não da maior em valor;
  • Comparar o custo efetivo total, e não apenas a taxa mensal anunciada.

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