Economia

Governo Lula criou programas de crédito de R$ 332,8 bilhões em 2026

Levantamento reúne linhas para indústria, habitação, trabalhadores, empresas aéreas, produtores rurais e compra de veículos, segundo valores divulgados pelo próprio governo

Os programas de crédito criados pelo governo federal ao longo de 2026 somam R$ 332,8 bilhões, considerando os valores divulgados pelo próprio governo no anúncio de cada linha. O levantamento foi publicado pelo Poder360 em 1º de agosto e reúne iniciativas voltadas a seis frentes distintas da economia.

As linhas contemplam financiamento para a indústria, habitação pelo Minha Casa Minha Vida, crédito para trabalhadores pelo consignado CLT, socorro a empresas aéreas, financiamento a produtores rurais e a pequenos negócios, além de linhas específicas para a compra de caminhões e motocicletas.

O maior volume já movimentado está no Crédito do Trabalhador, o consignado para empregados com carteira assinada. Desde o lançamento, no início de 2025, mais de R$ 120 bilhões foram contratados na modalidade, segundo dados oficiais.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, argumentou que os empréstimos serão pagos pelos próprios tomadores, e que o impacto para o Tesouro se limita a subsídios e a eventuais perdas com inadimplência. Não há, até aqui, número consolidado do custo fiscal do conjunto dos programas.

O que entra na conta e o que não entra

O total de R$ 332,8 bilhões corresponde ao valor anunciado de cada programa, não ao desembolso efetivo. Parte das linhas opera com recursos de bancos públicos e de fundos constitucionais, e não como despesa direta do Orçamento.

É por essa arquitetura que os programas não aparecem integralmente na apuração do resultado primário. O que pesa no Orçamento é o subsídio, a diferença entre a taxa cobrada do tomador e o custo de captação do agente financeiro, além da cobertura de inadimplência quando há garantia pública.

A reportagem que consolidou os valores é assinada por Camila Nascimento e Bruna Rossi. O texto não especifica o montante individual de cada programa nem o valor de subsídio previsto para cada linha.

A distinção importa para medir o tamanho real do esforço fiscal. Um programa anunciado com determinado volume de crédito disponível pode ter contratação muito abaixo do teto, e o valor que o Tesouro efetivamente banca só aparece depois, na execução dos contratos e no comportamento da inadimplência.

O consignado CLT é a maior operação

O Crédito do Trabalhador é a linha de maior volume contratado entre as citadas. Criado no início de 2025, o consignado para empregados do setor privado com carteira assinada já movimentou mais de R$ 120 bilhões, valor que supera em muito o de qualquer outro programa da lista.

A modalidade funciona com desconto em folha, o que reduz o risco do banco e permite taxa menor do que a do crédito pessoal comum. Para o trabalhador, isso significa juros mais baixos; para o sistema, significa endividamento com garantia de renda futura, que se converte em problema quando o vínculo de emprego se encerra.

Os demais setores contemplados na lista de programas seguem lógicas distintas. As linhas para produtores rurais e para pequenos negócios operam com equalização de juros. O financiamento habitacional pelo Minha Casa Minha Vida usa recursos do FGTS e do orçamento. O socorro às empresas aéreas foi desenhado como crédito com garantia pública para um setor específico.

O ambiente de juros

A expansão do crédito público ocorre com a Selic em patamar elevado. O Boletim Focus de 3 de agosto trouxe projeção de 13,75% para a taxa básica ao fim de 2026 e de 5,03% para o IPCA, acima do teto da meta de inflação.

Com juros nesse nível, o crédito subsidiado se torna mais atrativo para o tomador e mais caro para o setor público, porque amplia a distância entre a taxa cobrada e o custo do dinheiro. É a variável que define quanto de fato os R$ 332,8 bilhões custarão ao contribuinte ao longo dos contratos.

Leia também a análise do Boletim Focus de 3 de agosto, com as projeções de mercado para Selic e inflação.

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