Polícia Civil de SP afasta cinco policiais de Mogi após suspeita de regalias a Milton Leite
Operação do Gaeco apreendeu R$ 155 mil e US$ 10 mil com carcereiro e achou dois celulares na cela do ex-vereador
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A Polícia Civil de São Paulo afastou, neste sábado, 17, três delegados, um investigador e um carcereiro de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, depois de uma operação do Ministério Público contra supostas regalias ao ex-vereador paulistano Milton Leite (União), preso na Cadeia Pública do município. Segundo a reportagem do Jornal de Brasília, a ação de sexta-feira, 16, apreendeu R$ 155 mil e cerca de US$ 10 mil com o carcereiro suspeito de beneficiar o preso.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que abriu inquérito policial e procedimento correcional disciplinar, "sem prejuízo da tomada de novas medidas que se façam necessárias". O afastamento, diz a pasta, serve para garantir a continuidade das apurações sem interferências. Os cinco prestaram depoimento à Corregedoria no próprio sábado.
O que a operação encontrou na cadeia
A ofensiva foi do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, na chamada Operação Custódia (In)Fiel. Dois celulares foram achados na cela de Leite. A Corregedoria Geral da Polícia Civil apoiou a ação e determinou correições na Cadeia Pública e no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes, para checar as rotinas administrativas e operacionais das duas unidades.
Conforme o Metrópoles, entre os afastados estão a delegada seccional da cidade e o diretor da cadeia. O mesmo veículo publicou que, em decisão judicial, o Ministério Público registrou em 9 de outubro a visita de uma mulher com características semelhantes às da delegada seccional, e que uma pessoa parecida com o político foi retirada da carceragem e levada a uma área restrita. A informação é da coluna de Alfredo Henrique e não foi confirmada por outra fonte.
O Ministério Público também sustenta, segundo a reportagem do Jornal de Brasília, que havia "um fluxo incessante de visitantes dos presos, muitos deles sem qualquer vinculação familiar". O pedido contra o ex-vereador se apoiou em um áudio encontrado em celular apreendido e em depoimentos de policiais à Corregedoria da Polícia Militar, em que o nome dele foi mencionado por terceiros.
O que diz a defesa de Milton Leite
Em nota divulgada no sábado, a defesa afirmou que o ex-vereador "não recebe e nunca recebeu qualquer tipo de regalia ou tratamento diferenciado" e que está submetido às mesmas regras dos demais custodiados. Os advogados disseram ainda que acusações de favorecimento precisam ser apuradas com cautela. A reportagem não localizou manifestação dos policiais afastados.
Como Leite foi parar em Mogi das Cruzes
Presidente da Câmara Municipal de São Paulo durante seu mandato, Leite está preso desde 18 de setembro, quando se entregou à polícia na Operação Vectura Corrupta. A investigação mira a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte coletivo de ônibus da capital paulista, com contratos públicos da Transwolff. Segundo o Metrópoles, ele é apontado como dono de fato da empresa. A Justiça paulista prorrogou a prisão preventiva por mais 30 dias nesta semana.
Leite nega as acusações. Na apresentação à polícia, declarou: "Eu não cometi nenhum crime e nada devo". O caso das regalias corre em apuração separada, e a SSP não informou prazo para a conclusão do inquérito.
Informações do Jornal de Brasília, do Metrópoles e da nota da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, de 17/10/2026. O g1, a Folha de S.Paulo e o Estadão publicaram o afastamento no mesmo dia.